quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A vida de Santa Beatriz da Silva

Santa Beatriz nasceu em 1424, na cidade portuguesa de Campo Maior. Era descendente de família real. Foi agraciada com uma surpreendente beleza física e grandes qualidades morais. Foi educada pelos franciscanos, que fizeram brotar no seu coração uma forte devoção a Nossa Senhora. Desde menina, Beatriz rezava para que a Igreja proclamasse o dogma da Imaculada Conceição de Maria. A beleza, as virtudes e a devoção a Maria serão determinantes no caminho de Santa Beatriz.

Juventude e mudança para Castela

Quando a sua prima D. Isabel, rainha de Portugal, se casou com Dom João II de Castela, Santa Beatriz acompanhou-a como dama de honra na Corte de Castela, região que hoje faz parte da Espanha. Por causa da sua beleza, simpatia e nobreza, Beatriz logo passou a ser a preferida e admirada pelos cortejos de todos. Beatriz, porém, cultivava um amor cristão pelas pessoas e não se deixava levar pelas paixões mundanas.

Santa Beatriz: perseguida por causa de sua beleza

A Rainha gostava de saber que a sua dama de honra era elogiada e querida por todos. Todos falavam da jovem Beatriz, bela e carismática, atraente e virtuosa. Depois, porém, D. Isabel começou a olhar para Beatriz como uma rival. O ciúme fez-se presente no coração da Rainha de maneira irreversível. Tanto que, depois de algum tempo, a Rainha decidiu matar Santa Beatriz por asfixia.

Foi assim que, numa noite infeliz a Rainha levou Santa Beatriz até à parte subterrânea do palácio e enterrou-a viva num cofre que ficava no local. No pensamento da Rainha, o “problema” estava resolvido.

O chamamento de Nossa Senhora a Santa Beatriz

Aparentemente a morte era certa no caminho de Santa Beatriz. No auge de sua angústia, ela encomendou a sua alma a Deus e, num ato de amor e compreensão, pediu perdão também pela Rainha. Santa Beatriz sentia muito estar prestes a morrer sem receber os sacramentos, mas aceitou a morte próxima.

Mas aquilo que parecia o fim transformou-se no grande chamamento de Santa Beatriz. Aconteceu que, de repente, uma grande luz brilhou naquele cofre escuro e Santa Beatriz viu a Virgem Imaculada com o menino Jesus nos braços. Nossa Senhora vestia hábito e escapulário brancos e nos ombros um manto de um azul celeste. Sobre a sua cabeça brilhavam doze estrelas.

Maria, então, disse: “Minha filha, vês os hábitos que trago? Pois bem. Ao fim de três dias serás livre desta prisão e fundarás uma Ordem religiosa em louvor a minha Conceição Imaculada.”

Conversão na vida de Santa Beatriz

Depois de três dias todos começaram a notar a ausência de Santa Beatriz na Corte. O seu tio D. João de Menezes, procurou a Rainha para perguntar sobre a sua sobrinha. A Rainha ficou furiosa com a pergunta do súbdito e levou-o até o cofre, esperando achar ali um corpo em decomposição.

Quando abriram o cofre, porém, a surpresa: Santa Beatriz estava bela, sorridente e com uma aura celestial que iluminava o seu rosto. A Rainha ficou aterrorizada. Santa Beatriz ajoelhou-se aos seus pés e pediu permissão para sair da Corte e ir para um Mosteiro.

Santa Beatriz partiu, então, para o Mosteiro de São Domingos, em Toledo. A sua meta agora era preparar-se no silêncio e na oração, para a grande missão que Nossa Senhora lhe dera.

Quando Santa Beatriz chegou ao Mosteiro de S. Domingos, cobriu o seu rosto com um véu a fim de que ninguém mais se perdesse por causa da sua beleza.

Santa Beatriz e as demoras de Deus

Santa Beatriz passou mais de 30 anos no silêncio e na oração no Mosteiro de S. Domingos. Foi como certas árvores gigantescas que, antes de lançarem um broto acima da terra, aprofundam as suas raízes, que ficam escondidas sob o solo. Assim foi com Santa Beatriz.

Depois de mais de 30 anos, Nossa Senhora aparece uma segunda vez a Santa Beatriz. A Virgem Maria ordenou o início da construção da sua Ordem religiosa.

Santa Beatriz funda a Ordem das Concepcionistas

Providencialmente, Santa Beatriz recebeu ajuda da filha da sua adversária, também chamada D. Isabel, com o apelido de “a Católica”. Esta tornou-se co-fundadora e benfeitora da nova Ordem religiosa. Doou para a Ordem os Palácios de Galiana e a Igreja de Santa Fé. Ela mesma pediu e obteve a Bula de Aprovação do Papa Inocêncio VIII.

Assim, em 1484, Beatriz deixou o Mosteiro de S. Domingos e, acompanhada de 12 jovens, entrou nos palácios de Galiana adaptados à forma de Mosteiro. Ali começaram a viver a vida monástica. Vestiam hábito e escapulário brancos, manto azul e cingiam-se com o cordão seráfico, como na aparição de Nossa Senhora. Mais tarde, todas fizeram os votos perpétuos.

A morte de Santa Beatriz

Aos 67 anos Santa Beatriz recebeu uma terceira visita de Nossa Senhora. Esta disse-lhe:

“Minha filha, prepara-te que de hoje a 10 dias virás comigo para o paraíso”. Santa Beatriz pensou na Ordem nascente e nas suas filhas espirituais ainda jovens e, numa prece ardente e fervorosa, implora a protecção de Deus para a sua obra. O Espírito de Deus inspirou-a a colocar a Ordem nascente sob a protecção dos Franciscanos, pois eles eram defensores da Conceição Imaculada de Maria.

Depois disso, Santa Beatriz ficou gravemente enferma. Assim, chegou o dia predito por Nossa Senhora: 9 de Agosto de 1491. Deitada no seu leito de morte, Santa Beatriz ainda estava com o seu rosto encoberto. Então, uma das irmãs, com muita reverência, descobriu lhe o rosto. Foi uma surpresa maravilhosa para todos. O seu rosto conservava toda a beleza da juventude acrescida de uma aura celestial de paz e felicidade e uma luz sobre a sua cabeça.

Todas as suas filhas espirituais, mais seis sacerdotes Franciscanos e monjas Cistercienses que tinham vindo assistir aos últimos momentos de Santa Beatriz testemunharam o milagre. A notícia espalhou-se rapidamente pela região e o povo invadiu a clausura  para contemplar a Santa do brilho celestial ainda viva, como se já estivesse glorificada no Céu. A luz só desapareceu quando a alma de Santa Beatriz subiu para o paraíso.

Devoção à Santa Beatriz

Santa Beatriz deu ao mundo um testemunho vivo de fé no dogma da Imaculada Conceição de Maria, 400 anos antes da sua declaração oficial pela Igreja. Ela ensinou-nos a saber esperar as demoras de Deus. Santa Beatriz é a santa da decisão, da força de vontade, da paciência, do perdão, da obediência, da maturidade. Santa Beatriz, ensinai-nos a sofrer as demoras de Deus com paciência e confiança!

in 'Cruz Terra Santa'


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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Reparar os ultrajes, sacrilégios e indiferenças contra o Santíssimo Sacramento

"Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores."

Anjo de Portugal aos Pastorinhos de Fátima



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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Napoleão contra Nossa Senhora: 0 a 1!

Napoleão Bonaparte tentou 'derrubar' Nossa Senhora da festa do 15 de Agosto, dia do seu aniversário, mas Maria “derrubou os poderosos dos tronos”

A minha avó costumava dizer-me: "o orgulho cega!". Lembrei-me desta frase ao pensar hoje em Napoleão Bonaparte. Este homem sempre teve Nossa Senhora como uma pessoa incómoda. A razão? O dia de seu nascimento.

Napoleão nasceu em Ajaccio no dia 15 de Agosto de 1769; no mesmo dia em que Maria entrou no Céu. Poucas pessoas sabem que este general, quando se tornou adulto, sempre que celebrava um aniversário tinha um ataque de raiva ao ter que compartilhar a sua festa com Nossa Senhora. Poderia ter ficado feliz, mas ficava zangado; a minha avó realmente tinha razão ao dizer que o orgulho cega.

A irritação aumentou quando soube que, no dia da Assunção, celebrava-se o “voto de Luís XIII”: este rei da França, emitiu, no dia 15 de Agosto de 1637, um decreto solene com o qual colocava a nação sob a protecção explícita de Maria. Também isso poderia tê-lo tranquilizado um pouco. Mas não! A França tinha que contar só com ele, génio e invencível imperador!

Depois, quando chegou a conhecer a passagem evangélica que a Igreja lia em todas as igrejas francesas, naquele dia 15 de Agosto, a sua irritação transformou-se em um surto insuportável. "Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes; aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias". Em cada aniversário de Napoleão Nossa Senhora arruinava a sua festa, lembrando-lhe que “Deus dispersa os soberbos nos pensamentos dos seus corações”!

Napoleão teve então uma ideia realmente brilhante: com um decreto oficial do 19 de Fevereiro de 1806 aboliu a festa da Assunção e substituiu-a pela festa de São Napoleão! A minha avó tinha razão: "O orgulho cega!” O Papa Pio VII protestou, declarando que é “inadmissível que o poder civil substitua o culto à Nossa Senhora Assumpta ao Céu pelo culto de um santo inexistente, com uma interferência intolerável do poder temporal no espiritual". Mas Napoleão não ouviu ninguém!

Como acabou Napoleão? Todos sabemos. As palavras proféticas, que Maria tinha pronunciado no seu maravilhoso Magnificat, realizaram-se pontualmente também para ele! “O trono de Napoleão foi derrubado" precisamente por causa do seu orgulho, e Maria, após a abdicação do imperador, em Março de 1814, retomou o seu lugar na solenidade da Assunção, também em França, para indicar o caminho da verdadeira grandeza.


Maria Corvo in intemirifugio.it


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Proclamação solene do Dogma da Assunção de Nossa Senhora

No dia 1 de Novembro de 1950, o Papa Pio XII proclamou o último dogma mariano até à data: o dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em corpo e alma. Trata-se de uma proclamação infalível, com toda a autoridade petrina, com a qual a Igreja ensina que Nossa Senhora ascendeu directamente ao Céu, sem passar pela corrupção da carne. O centro do documento, a Consitutição Apostólica Munificentissimus Deus, é este:

"Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus omnipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos S.Pedro e S.Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial." 

Constituição Apostólica do Papa Pio XII - Munificentissimus Deus


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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um Santo no campo de concentração

Recordemos um dos exemplos admiráveis de São Maximiliano Maria Kolbe, o Santo mártir polaco, "louco da Imaculada".

Quando o Santo foi preso, fecharam-no no famigerado cárcere de Varsóvia, o Pawiak. Um dia passou pelo controlo dos prisioneiros um chefe de repartição alemão mais feroz do que qualquer outro. Entrando na cela onde estavam três deportados, ao ver o hábito de frade de São Maximiliano, aquele chefe de repartição enfureceu-se cegamente. Aproximou-se imediatamente de São Maximiliano, agarrou-lhe o crucifixo que lhe pendia do Rosário à cintura e, puxando-o aos safanões, gritou com voz de ódio:

- Mas tu acreditas nisto?

- Acredito, e de que maneira! - respondeu calmo o Santo.

Imediatamente um murro brutal acertou no rosto do Santo. Depois, novamente, por mais duas vezes, a mesma pergunta, a mesma resposta, e as mesmas violentas pancadas. Os companheiros de cela ficavam horrorizados e estremeciam de raiva contra aquele oficial, mas sem poder fazer nada; e quando ele se foi embora, foi o próprio São Maximiliano que procurou acalmar a ira dos seus companheiros, dizendo-lhes: "Deixem lá! Isto não foi nada, é tudo pela Mãezinha."

Pe. Stefano Manelli in 'A Devoção a Nossa Senhora: Vida Mariana na Escola dos Santos', Cidade do Imaculado Coração de Maria, Fátima, 2015


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14 de Agosto de 1385: um Santo combate em Aljubarrota

Nun’ Álvares Pereira orando antes da batalha
Painel de azulejos de Jorge Colaço (1933), Centro Cultural Rodrigues de Faria. freguesia de Forjães, Esposende.
14 de Agosto de 1385. A Batalha de Aljubarrota é a batalha mais famosa e uma das mais importantes de toda a história de Portugal. 

O Reino de Portugal garantiu a sua independência derrotando o reino de Castela, actual Espanha, apesar de ter muito menos soldados. Castela resolveu atacar precipitadamente por volta das 18 horas, temendo o ataque nocturno, e ao pôr-do-sol a batalha já estava vencida pelos portugueses. A memória desta batalha serviu para acender o fogo em muitos corações portugueses pelos séculos que se seguiram.

Forjou grande parte da nacionalidade lusitana e deu início a uma dinastia que muita glória e honra trouxe a Portugal.

Quem venceu esta batalha contra Castela, actual Espanha, na frente do exército português, foi um dos homens mais poderosos que já viveram em Portugal. E foi também um dos portugueses mais humildes em toda a nossa história.

S. Nuno de Santa Maria, o Santo Condestável.

É ele a prova de que é possível ser guerreiro e Santo ao mesmo tempo, e grande devoto de Nossa Senhora em todo o tempo. Não é por acaso que a vitória em Aljubarrota aconteceu na Vigília da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu.

Na homilia da canonização de S. Nuno, o Papa Bento XVI deixou bem claro que não foram apenas os anos finais da sua vida, que passou no Convento do Carmo em Lisboa enquanto monge carmelita, que contribuiram para a sua santidade. Também os anos em que foi o chefe máximo das forças portuguesas tiveram méritos.

Jaime Nogueiro Pinto, no seu livro sobre S. Nuno, descreve bem o momento em que o Santo convenceu o rei, D. João I, a agir rapidamente para enfrentar o exército de Castela em Aljubarrota:

“Nun’Álvares não quebrava. Era audácia e ímpeto mas sobretudo uma grande liberdade de falar a todos, mesmo ao mais poderoso, ao rei. (…) Era um falar e agir firme, mas também sereno, sem crispação, perante os poderosos deste mundo. E leve e alegre, com aquela segurança dos que eram ou se sabiam mensageiros de um Senhor justo e todo-poderoso.” Jaime Nogueira Pinto in 'Nuno Álvares Pereira', Esfera dos Livros
Bandeira usada por S. Nuno nas batalhas


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domingo, 13 de agosto de 2017

Procissão das Velas no Santuário de Fátima



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O dia em que Nossa Senhora não apareceu em Fátima porque os Pastorinhos foram presos

Há 100 anos Nossa Senhora ia aparecer na Cova da Iria, como tinha prometido aos Pastorinhos. No entanto, o Governo Republicano tinha sufocado a Igreja com um conjunto de leis injustas e não permitia qualquer manifestação pública da Fé católica que não tivesse sido aprovada. O Administrador de Ourém mandou aprisionar os Pastorinhos nesse dia 13 de Agosto e fez-lhes todo o tipo de ameaças cruéis. Eis como a Irmã Lúcia descreveu a situação, nas suas Memórias:

Quando, passado algum tempo, estivemos presos, a Jacinta, o que mais Ihe custava era o abandono dos pais; e dizia, com as lágrimas a correrem-lhe pelas faces: 
– Nem os teus pais nem os meus nos vieram ver. Não se importaram mais de nós! 
– Não chores – Ihe disse o Francisco.
 – Oferecemos a Jesus, pelos pecadores. 
E levantando os olhos e mãozinhas ao Céu, fez ele o oferecimento:
– Ó meu Jesus, é por Vosso amor e pela conversão dos pecadores. 
A Jacinta acrescentou: 
– É também pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria. 

Quando, depois de nos terem separado, voltaram a juntar-nos em uma sala da cadeia, dizendo que dentro em pouco nos vinham buscar para nos fritar, a Jacinta afastou-se para junto duma janela que dava para a feira do gado. Julguei, a princípio, que se estaria a distrair com as vistas; mas não tardei a reconhecer que chorava. Fui buscá-la para junto de mim e perguntei-Ihe por que chorava: 

– Porque – respondeu – vamos morrer sem tornar a ver nem os nossos pais, nem as nossas mães! E com as lágrimas as correr-lhe pelas faces: – Eu queria sequer, ver a minha mãe! 
– Então tu não queres oferecer este sacrifício pela conversão dos pecadores? 
– Quero, quero. E com as lágrimas a banhar-lhe as faces, as mãos e os olhos levantados ao Céu, faz o oferecimento: – Ó meu Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores, pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria. Os presos que presenciaram esta cena quiseram consolar-nos: 
– Mas vocês – diziam eles – digam ao Senhor Administrador lá esse segredo. Que Ihes importa que essa Senhora não queira? 
– Isso não! – respondeu a Jacinta com vivacidade. – Antes quero morrer.

Determinámos, então, rezar o nosso Terço. A Jacinta tira uma medalha que tinha ao pescoço, pede a um preso que Ihe pendure em um prego que havia na parede e, de joelhos diante dessa medalha, começamos a rezar. Os presos rezaram connosco, se é que sabiam rezar; pelo menos estiveram de joelhos. 

Terminado o Terço, a Jacinta voltou para junto da janela a chorar. 
– Jacinta, então tu não queres oferecer este sacrifício a Nosso Senhor? – Ihe perguntei. 
– Quero; mas lembro-me de minha mãe e choro sem querer. 
Então, como a Santíssima Virgem nos tinha dito que oferecêssemos também as nossas orações e sacrifícios para reparar os pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, quisemos combinar a oferecer cada um pela sua intenção. Oferecia um pelos pecadores, outro pelo Santo Padre e outro em reparação pelos pecados contra o Imaculado Coração de Maria. Feita a combinação, disse à Jacinta que escolhesse qual a intenção por que queria oferecer. 
– Eu ofereço por todas, porque gosto muito de todas.


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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A grande Santa Clara de Assis

Santa Clara, nasceu em Assis, na Itália, filha de pais ricos e piedosos. O nome de Clara foi-lhe dado em virtude de uma voz misteriosa que a mãe Hortulana ouviu, quando, antes de dar à luz a filha, fazia fervorosas orações diante de um crucifixo. “Nada temas! – disse aquela voz – o fruto de teu ventre será um grande lume, que iluminará o mundo todo”. 

Desde pequena, Clara era em tudo bem diferente das companheiras. Quando meninas dessa idade costumam achar agrado nos brinquedos e bem cedo revelam também qualidades pouco apreciáveis, Clara era a excepção à regra. O seu prazer era rezar, fazer caridade e penitência. Aborrecia a vaidade e as exibições e tinha aversão declarada aos divertimentos profanos. 

Vivia naquele tempo o grande Patriarca de Assis, São Francisco. A este se dirigiu Santa Clara, comunicando-lhe o grande desejo que tinha de abandonar o mundo, fazer o voto de castidade e levar uma vida da mais perfeita pobreza. São Francisco reconheceu em Clara uma eleita de Deus e animou-a a persistir nas piedosas aspirações. Depois de ter examinado e sujeitado a duras provas o espírito da jovem, aconselhou-lhe abandonar a casa paterna e tomar o hábito de religiosa. Foi num Domingo de Ramos, que Clara executou este plano, dirigindo-se à Igreja de Porciúncula, onde São Francisco lhe cortou os cabelos e lhe deu o hábito de penitência. Clara contava apenas 18 anos, quando disse adeus ao mundo e entrou para o convento das Beneditinas de Assis.

O procedimento estranho de Clara, provocou os mais veementes protestos dos pais e parentes, que tudo tentaram para tirar a jovem do convento. Clara opôs-lhes firme resistência. Indo à igreja, segurou-se ao altar e com a outra mão, mostrou aos pais a cabeleira cortada e disse-lhes: “Deveis saber que não quero outro esposo, senão a Jesus Cristo. A este escolhi e não mais o deixarei.” Clara tinha uma irmã mais nova, de quatorze anos, chamada Inês. Esta, não suportando a separação e animada por Clara, poucos dias depois, abandonou também a casa e entrou para o convento onde Clara estava. Com este gesto não se conformaram os parentes. Foram ao convento com o intuito de obrigar a jovem a voltar trazê-la à viva força para casa, fosse qual fosse a resistência que encontrariam.

A resistência realmente foi tão resoluta da parte de Inês que tiveram de desistir das suas tentativas. Também a ela São Francisco deu o hábito religioso. Apenas provisória podia ser a estada das duas irmãs no convento das Beneditinas. Francisco havia de dar providências para colocá-la em outro lugar.

Adquiriu a igreja de São Damião e uma casa contígua para as novas religiosas, às quais logo se associaram outras companheiras. Sob a direcção de Clara, formaram estas a primeira comunidade que, desenvolvendo-se cada vez mais, tomou a forma de nova Ordem religiosa. Esta Ordem, de origem tão humilde, tornou-se celebérrima na Igreja Católica, a que deu muitas santas e muito trabalhou e trabalha pelo engrandecimento do Reino de Cristo sobre a Terra. 

Obedecendo à Ordem de São Francisco, Clara aceitou o cargo de superiora, e exerceu-o durante quarenta e dois anos. Deu à Ordem regras severas sobre a observância da pobreza. Clara respeitosamente a recusou uma oferta de bens imóveis feita pelo Papa. Não só na observância da pobreza, como também na prática de outras virtudes, Clara era modelo exemplaríssimo para as suas filhas espirituais. Grande foi a satisfação quando recebeu o pedido de admissão na Ordem da própria Mãe e de outras parentes . Além destas, entraram três fidalgas da casa Ubaldini na nova Ordem das Clarissas. Julgaram maior honra associar-se à pobreza de Clara do que viver no meio dos prazeres dum mundo enganador.

Na prática da penitência e mortificação, Clara era de tanto rigor, que o seu exemplo podia servir mais de admiração do que de imitação. O próprio São Francisco aconselhou que usasse de moderação, porque do modo de que vivia e martirizava o corpo, era de recear que não pudesse ter longa vida.

Severíssima para consigo, era inexcedível na caridade para com o próximo. O seu maior prazer era servir aos enfermos. Uma das virtudes que se lhe observava, era o grande amor ao Santíssimo Sacramento. Horas inteiras do dia e da noite passava nos degraus do altar. O SS. Sacramento era o seu refúgio, em todos os perigos e dificuldades.

Clara contava sessenta anos, dos quais passara 28 anos sofrendo grandes enfermidades. Por maiores que lhe fossem as dores, nenhuma queixa lhe saía da boca. Na meditação da sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor achava o maior alívio. “Como passa bem depressa a noite, dizia, ocupando-me com a Paixão de Nosso Senhor”. Em outra ocasião, disse: “Homem haverá que se queixe, vendo a Jesus derramar todo o seu sangue na Cruz? 

Sentindo a proximidade da morte, recebeu os Santos Sacramentos e teve a satisfação de receber a visita do Papa Inocêncio IV, que lhe concedeu uma indulgência plenária. Quase agonizante, disse ainda estas palavras: “Nada temas, minha alma; tens boa companhia na tua passagem para a eternidade. Vai em paz, porque Aquele que te criou, te santificou, te guardou como a mãe ao filho, e te amou com grande ternura. Vós, porém, meu Senhor e meu Criador, sede louvado e bendito.” 

Santa Clara morreu em 12 de Agosto de 1253, mais em consequência do amor divino, do que da doença que a martirizava. Foi em atenção aos grandes e numerosos milagres que se lhe observaram no túmulo, que o Papa Alexandre IX, dois anos depois, a canonizou.

in 'Página do Oriente'


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A filmagem mais antiga de um Papa

Este vídeo do Papa Leão XIII foi filmado em 1896. O som é do mesmo Papa, mas em 1903, enquanto canta a Avé Maria em latim.



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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

São Josemaria Escrivá resume o que é a Santa Missa

Toda a Trindade está presente no sacrifício do Altar. Por vontade do Pai, com a cooperação do Espírito Santo, o Filho oferece-Se em oblação redentora. Aprendamos a conhecer e a relacionar-nos com a Santíssima Trindade, Deus Uno e Trino, três pessoas divinas na unidade da sua substância, do seu amor e da sua acção eficaz e santificadora.

Logo a seguir ao lavabo, o sacerdote invoca: Recebei, ó Santíssima Trindade, esta oblação que Vos oferecemos em memória da Paixão, Ressurreição e Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, no final da Santa Missa, há outra oração de inflamada reverência ao Deus Uno e Trino: Placeat tibi, Sancta Trinitas, obsequium servitutis meae... agradável Vos, seja, ó Trindade Santíssima, o obséquio da minha vassalagem: fazei que por misericórdia este Sacrifício oferecido por mim, posto que indigno aos olhos da vossa Majestade, Vos seja aceitável, e que para mim e para todos aqueles por quem o ofereci, seja um sacrifício de perdão.

A Santa Missa – insisto – é acção divina, trinitária, não humana. O sacerdote que celebra serve o desígnio divino do Senhor pondo à sua disposição o seu corpo e a sua voz. Não age, porém, em nome próprio, mas in persona et in nomine Christi, na Pessoa de Cristo e em nome de Cristo.

O amor da Trindade pelos homens faz com que, da presença de Cristo na Eucaristia, nasçam para a Igreja e para a humanidade todas as graças. Este é o sacrifício que profetizou Malaquias: desde o nascer do sol até ao poente, o meu nome é grande entre as nações, e em todo o lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura. É o Sacrifício de Cristo, oferecido ao Pai com a cooperação do Espírito Santo, oblação de valor infinito, que eterniza em nós a Redenção, que os sacrifícios da Antiga Lei não conseguiam alcançar. 

in Cristo que passa, 86


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São Lourenço, o príncipes dos mártires

São Lourenço nasceu em Huesca (Espanha) por volta do ano 225. Segundo Santo Agostinho, o desejo que Lourenço tinha de unir-se a Jesus era tanto que esqueceu dor da tortura quando foi martirizado.

No ano 257, o imperador romano Valeriano ordenou uma perseguição contra os cristãos. No início, parecia mais branda do que a imposta por Décio. Proibia as reuniões dos cristãos, fechava os acessos às catacumbas, exilava os bispos e exigia respeito aos ritos pagãos. Mas não obrigava a renegar a fé publicamente. Entretanto, no ano seguinte, Valeriano ordenou que os bispos e padres fossem todos mortos. 

Lourenço era o arcediácono do Papa Xisto II, isto é, o primeiro dos sete diáconos ao serviço da Igreja de Roma. Depois do Papa, era Lourenço o responsável pela Igreja. Isto quer dizer que era o assistente do Papa nas celebrações. Mas, além disso, administrava os bens da Igreja, cuidando das construções dos cemitérios, igrejas e da manutenção das obras assistenciais destinadas ao amparo dos pobres, órfãos, viúvas e doentes.

A partir do decreto de Valeriano, os bispos começaram a ser executados e um dos primeiros foi Cipriano de Cartago, que morreu em 258. Logo em seguida foi à vez do Papa Xisto II ser executado, juntamente com os outros seis diáconos.

O diácono Lourenço foi preso e levado à presença do Prefeito Romano para entregar todos os bens que a Igreja possuía. Lourenço pediu um prazo de três dias, pois, como confessou, a riqueza era grande e tinha de fazer o balanço completo. Obteve o consentimento.

Tratou de reunir um grupo de cegos, órfãos, mendigos e doentes, colocou-os à frente do Prefeito, e disse: "Pronto, aqui estão os tesouros da Igreja". Irado, o governador mandou que o amarrassem sobre uma grelha, para ser assado vivo, e lentamente. O suplício cruel não demoveu Lourenço da sua Fé. Segundo uma narrativa de Santo Ambrósio, Lourenço teria ainda encontrado disposição e muita coragem para dizer ao seu carrasco: "Podes virar-me...já estou bem assado deste lado".

Lourenço morreu no dia 10 de Agosto de 258, rezando pela cidade de Roma. A população mostrou-se muito grata a São Lourenço, que, pelo seu feito, é chamado de "príncipe dos mártires". Os romanos ergueram, ao longo do tempo, tantas igrejas em sua homenagem que nem mesmo São Pedro e São Paulo, os padroeiros de Roma, possuem igual devoção.

Oração a São Lourenço: Ó Deus, o vosso diácono Lourenço, inflamado de amor por Vós, brilhou pela fidelidade no vosso serviço e pela glória do martírio; concedei-nos amar o que ele amou e praticar o que ensinou. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

adaptado de 'Catequese Cristã Católica'


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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Missa Solene com assistência Pontifical em Rito Ambrosiano Tradicional












Congresso 'Sacra Liturgia' em Milão, 2017. Chiesa di Sant'Alessandro in Zebedia. 
Cardeal Raymond Leo Burke e Cardeal Robert Sarah.


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A vida notável de São João Maria Vianney, o Santo Cura d'Ars

Um episódio que ilustra o cuidado constante e vigilante do Padre Vianney. Aos Domingos, após rezar Vésperas, o zeloso pároco gostava de dar uma volta pelos campos em torno de Ars, com o intuito de verificar e conferir a observância do preceito dominical que ele tanto encarecia. Certo Domingo de Junho encontrou um homem que carregava a sua colheita. Envergonhado ao se ver diante do Cura d'Ars, quis esconder-se atrás da carroça. – Oh, meu amigo, disse-lhe o Cura, com um tom de profunda tristeza. – Está confundido por me ter encontrado… Mas e Deus que o vê todos os dias? É a Ele a quem deve temer.

- Nosso Cura, diziam nas conversas, – faz tudo o que diz e pratica tudo o que ensina. Jamais o vimos tomar parte em diversão alguma. O seu único prazer é falar com Deus.
- Um dia, – conta o então jovem missionário, Padre Monnin, – perguntei-lhe se os seus sofrimentos algumas vezes lhe fizeram perder a paz. Respondeu com celestial expressão: – é a cruz que infunde a paz nos nossos corações.

Além das pregações muito incisivas e da catequese permanente, o zeloso cura incentivou e fortaleceu os grupos de orações constantes: as Confrarias do Rosário e do Santíssimo Sacramento. Por elas, cultivou uma elite espiritual que irradiava o estímulo constante da vida espiritual. 

Eis um episódio narrado pelo próprio Cura d'Ars: – Havia aqui na Paróquia um homem que morreu há poucos anos. Pela manhã, entrando na Igreja para rezar as suas orações, antes de ir ao campo, deixou os utensílios à porta e esqueceu-se de si mesmo diante de Deus. Um vizinho, que trabalhava no mesmo lugar e que costumava vê-lo, estranhou-lhe a ausência. Voltando, resolveu entrar na Igreja, julgando talvez encontrá-lo ali. E encontrou. – Que fazes aqui, tanto tempo? – Perguntou-lhe. Ao que ele respondeu: olho para Deus e Deus olha para mim. O Cura d'Ars gostava de repetir esta singela narrativa. Fazia-o sempre com lágrimas nos olhos.

Naqueles tempos, ao terminar uma Campanha missionária, celebrava-se diante dos fiéis reunidos uma cerimónia em que os sacerdotes renovavam as promessas da ordenação. Em Trévoux, coube ao Padre Vianney apresentar os evangelhos a cada um dos colegas pronunciando as palavras do ritual: crês nos Santos Evangelhos de Nosso Senhor Jesus Cristo? Padre Vianney fê-lo com tanta piedade e unção que o seu semblante e o tom da sua voz produziram uma profunda emoção em todos os sacerdotes.

Nesta altura de sua vida, o humilde e austero Cura d'Ars já era profundamente admirado não só entre os fiéis como entre todo o clero. Eis um episódio que ilustra esse patamar de santidade em que já se encontrava o Padre Vianney e a sua sincera e profunda humildade. - Por aquele tempo, narra ele próprio, fui convidado para pregar o Exercício das Quarenta Horas. Diante do convite do Pároco tinha-me escusado por considerar-me incapaz de falar diante de um auditório tão selecto. Mas o Pároco assegurou-me que se tratava de uma paróquia rural. Fui. Vi, então, que tinha caído numa cilada! Ao entrar na Igreja, vi o coro cheio de eclesiásticos e a igreja repleta de pessoas de todas as condições sociais. No início, fiquei muito acanhado. Não obstante, comecei a pregar sobre o amor de Deus e parece que aquilo ainda ia bem: todos choravam!…

- Senhor Cura, – disse-lhe ingenuamente Catarina Lassagne: – Os outros missionários correm atrás dos pecadores, mesmo por terras longínquas, mas aqui, os pecadores correm atrás de V. Revma. E, ele, sobrenaturalmente delicado com estas constatações, respondeu no mesmo tom: – quase que é verdade.

Seguindo as regras litúrgicas, o Padre Vianney não empregava mais tempo que os demais. Em geral, em torno de meia hora para celebrar a Santa Missa. Antes da comunhão, parava alguns momentos, parecia conversar com Deus. Que belo era vâ-lo quando celebrava a Missa. E, observava o Padre Luis de Beau, seu confessor, cada vez parecia-me ver um anjo no altar. Só o porte do Cura d'Ars, enquanto celebrava a Missa converteu mais de um pecador.

Amava tanto o Breviário que o levava sempre debaixo do braço. Falando das pessoas que se distraem na oração, dizia: as moscas afastam-se da água que ferve, apenas caem na água fria ou morna. Rezado o Breviário e concluídas as confissões, pelas onze horas, dirigia-se à cadeira do Catecismo. Ali, durante quinze anos, de 1845 a 1859, todos os dias da semana, o Cura d'Ars explicou singelamente o Catecismo aos peregrinos. 

Mons. Allou, Bispo de Meaux, que passou oito dias no Castelo de Ars, não perdeu um só dia do Catecismo e saia maravilhado. Os padres missionários, quando podiam, ouviam o seu Catecismo para beber-lhe a santidade que emanava das suas palavras, cheias de Fé. Os sacerdotes pediam que lhes fosse permitido acompanhá-lo até a cabeceira dos enfermos a fim de se edificarem e se instruírem. Um deles, Pe. Tailhardes observou: dir-se-ia que via com os próprios olhos as coisas de que falava.

Francis Trochu in 'O Santo Cura d'Ars'


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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A homossexualidade não é compatível com a vocação sacerdotal - Papa Bento XVI

No livro-entrevista 'Luz do Mundo', Peter Seewald (o entrevistador) faz um comentário provocador a Bento XVI sobre a questão da atracção por pessoas do mesmo sexo: 

“Não é nenhum segredo que também entre os sacerdotes e os monges há homossexuais. Recentemente, teve grande repercussão um escândalo em torno a paixões homossexuais de sacerdotes em Roma.”

O Papa Bento XVI respondeu:

“A homossexualidade não é compatível com a vocação sacerdotal. Do contrário, o celibato não teria nenhum sentido como renúncia. Seria um grande perigo se o celibato se tornasse, por assim dizer, uma ocasião para introduzir no sacerdócio pessoas que, de qualquer modo, não gostariam de se casar, porque, em última instância, também a sua postura perante o homem e a mulher está de alguma forma modificada, desconcertada, e, em todo caso, não se encontra na direcção da criação de que falamos. 

A Congregação para a Educação Católica emitiu faz alguns anos uma disposição no sentido de que os candidatos homossexuais não podem ser sacerdotes porque a tendência distancia-os da paternidade, da realidade interior da condição de sacerdote. Por isso, a selecção dos candidatos ao sacerdócio deve ser muito cuidadosa. Tem que aplicar-se a máxima atenção para que não irrompa uma confusão semelhante, e, no final, por assim dizer, se identifique o celibato dos sacerdotes com a tendência à homossexualidade.”


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São Caetano, Apóstolo da autêntica Reforma Católica

Suscitado pela Providência para combater os efeitos paganizantes do Renascimento, fundou a Ordem dos Teatinos para a reforma do clero

Muita coisa se poderia dizer sobre o Renascimento. Sob certo ponto de vista, foi nesse período histórico que se deram “as realizações do que é chamado espírito moderno, em oposição ao espírito que prevaleceu durante a Idade Média.”(1)

Plinio Corrêa de Oliveira esclarece como se formou e desenvolveu esse espírito: “A admiração exagerada, e não raro delirante pelo mundo antigo, serviu como meio de expressão desse desejo (de uma ordem de coisas fundamentalmente diversa da que chegara a seu apogeu nos séculos XII e XIII). Procurando muitas vezes não colidir de frente com a velha tradição medieval, o Humanismo e a Renascença tenderam a relegar a Igreja, o sobrenatural, os valores morais da Religião, a um segundo plano. O tipo humano inspirado nos moralistas pagãos que aqueles movimentos introduziram como ideal na Europa, bem como a cultura e a civilização coerentes com este tipo humano, já eram legítimos precursores do homem ganancioso, sensual, laico e pragmático de nossos dias, da cultura e da civilização materialistas em que cada vez mais vamos imergindo. Os esforços por uma Renascença cristã não lograram esmagar em seu germe os factores de que resultou o triunfo paulatino do neo-paganismo.”(2)

Muitos membros da Igreja docente infelizmente absorveram esse espírito, e tal absorção foi uma das primeiras causas da crise religiosa, com toda sua repercussão sobre os fiéis. Foi em parte para combater essa situação calamitosa que a Providência suscitou São Caetano de Tiene. 

Condes verdadeiramente católicos

São Caetano nasceu em outubro de 1480 em Vicência, cidade da então República de Veneza. Seu Pai, Gaspar, conde de Tiene, doutor em Direito e capitão de Couraceiros, possuía castelos nessa cidade. Era sobretudo um católico exemplar. Consagrado à Virgem Santíssima logo após o baptismo, Caetano foi educado num ambiente nobre e profundamente religioso.

Quando contava apenas dois anos, o seu Pai faleceu. Coube à Mãe, Maria do Porto, a árdua tarefa de educar os três filhos.

Praticamente nada se sabe da vida estudantil de Caetano. Como ele era tímido e modesto, evitando sobressair, ficamos privados dos pormenores de sua juventude. Sabemos que cursou os estudos jurídicos e teológicos na Universidade de Pádua, onde já era apontado como espelho de sabedoria em meio à libertinagem dos jovens colegas e notado por sua doçura, ingenuidade, modéstia e temperança.

Em 1504, Caetano graduou-se doutor em Direito Civil e Canônico e recebeu a tonsura clerical. Três anos depois foi para a Roma.

Na Cidade Eterna, nessa época: “Leão X [Papa renascentista] submergia inconscientemente no tumulto de sua vida faustosa e de seus gostos profanos. Enquanto o mundo oficial da Cúria romana entregava-se à arte, à política, à frivolidade ou à corrupção, um grupo de homens piedosos, honradamente persuadidos da necessidade de uma renovação social [e religiosa], organizaram uma irmandade destinada a fomentar a vida cristã em si mesmos e nos que os rodeavam.”(3) Chamaram-na Companhia, ou Oratório do Amor Divino. Os seus membros “mostraram ao mundo, com seu exemplo, que a fé e as obras não estavam mortas na Roma do Renascimento, apresentada então por Lutero como centro de todos os vícios.”(4)

Esse Oratório visava “combater a influência paganizante do Renascimento”(5), procurando “reacender o fogo do amor de Deus nos corações, e impedir que a heresia, a libertinagem, o amor aos prazeres e a paixão dos interesses não o banissem.”(6) Ou seja, almejava uma verdadeira Reforma Católica. São Caetano entregou-se de corpo e alma ao Oratório. 

Recebe nos braços o Menino Jesus

Na noite de Natal de 1517, quando São Caetano rezava junto à relíquia do presépio que se venera na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, Nossa Senhora apareceu-lhe com o Menino Jesus recém-nascido nos braços, acompanhada de São José e São Jerónimo, tendo depositado o Divino Infante nos braços de Caetano. Este acontecimento é relatado pelo próprio santo a Sóror Mignani, em carta de 28 de Janeiro de 1518. Tal aparição repetiu-se nas festas seguintes da Circuncisão e da Epifania. Por isso, São Caetano é representado sempre com o Menino Jesus nos braços(7). Que pureza virginal e que limpeza de alma deveria ter alguém para receber tal privilégio!

Caetano voltou então à sua cidade natal, Vicência, para assistir aos últimos momentos da sua piedosa mãe. Depois do falecimento desta, enquanto cuidava dos negócios domésticos, o santo ingressou no Oratório de São Jerónimo, cujos fins eram os mesmos da Confraria do Amor Divino, mas que incluía entre os seus membros também leigos pobres. Apesar do vozerio suscitado nas suas relações, por considerarem indigno alguém de grande nascimento como ele misturar-se com humildes trabalhadores, Caetano não se importou. E fez de tudo para elevar espiritual e materialmente aqueles pobres operários(8). Conseguiu incrementar entre eles a comunhão frequente e as visitas aos enfermos nos hospitais. Fundou também o Hospital dos Incuráveis, para os pobres sem esperança de cura. 

Reforma do clero e regeneração da sociedade

Ao contrário de Lutero, que usou como pretexto certos desmandos no clero para atrair as pessoas para a sua pseudo-reforma, Caetano buscou levar adiante a obra da autêntica reforma católica desejada pelos Concílios de Latrão e de Trento. Pensou em fundar uma Ordem religiosa que enaltecesse o estado sacerdotal com a profissão dos três votos religiosos, sob a obediência a um superior e a dependência imediata da Santa Sé. O seu objectivo seria trabalhar pela reforma do Clero e a regeneração da Sociedade. Caetano encontrou uma óptima aceitação entre três ilustres membros do Oratório do Amor Divino: João Pedro Carafa, bispo de Chieti, também oriundo de ilustre família condal e mais tarde Papa Paulo IV; Bonifácio Cola, hábil e virtuoso advogado, e Paulo Consiglieri, também de alta sociedade e vida ilibada.

Surgiu assim a Ordem dos Teatinos. Caetano compreendeu “que o nó do problema estava no clero, contagiado em grandes sectores pela cobiça, a frivolidade e a imoralidade do Renascimento.”(9) Esses religiosos deveriam ter tal confiança na Divina Providência que não poderiam nem mesmo pedir esmolas, mas esperar que elas fossem dadas espontaneamente. Clemente VII autorizou a nova fundação.

Em 1527, deu-se o Saque de Roma, quando o Condestável de Bourbon, com um exército de 30 mil soldados composto por luteranos e assalariados sem princípios, pôs em sítio a Cidade Eterna. Durante dois meses, os luteranos – fervendo de ódio contra a Fé Católica, e seguidos pelo resto da soldadesca ávida de destruição – causaram à Cidade as maiores calamidades, não respeitando lugares sagrados nem pessoas. Caetano chegou a ser preso e torturado. Os teatinos, depois de muitos sofrimentos, tiveram que se trasladar para Veneza, onde empreenderam, a par das obras de misericórdia, a reforma do Missal e do Breviário romanos, que o Papa lhes havia encomendado.

Em todos os lugares onde esteve, São Caetano “contra o materialismo paganizante do Renascimento, desfraldou a bandeira do Sobrenaturalismo Cristão, modelando a sua vida e sua acção sacerdotal segundo aquela máxima evangélica que constituiu também o lema de sua Ordem: ‘Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça, e tudo vos será dado por acréscimo’. Promoveu com extraordinário zelo a magnificência do culto litúrgico, a santidade e o decoro dos templos, e a prática da comunhão frequente, metas importantes para sua obra de reforma.”(10) Lutou contra a heresia que se infiltrava nos círculos aristocráticos e intelectuais de Nápoles, denunciou ao Santo Ofício três pregadores ganhos pela heresia luterana; fundou ou reformou vários mosteiros, estabelecendo para os operários dessa cidade um Monte de Piedade, que se tornou no actual Banco de Nápoles. 

“A primeira figura da idade moderna”

Em 1547, o vice-rei de Nápoles, D. Pedro de Toledo, decidiu estabelecer ali o Tribunal da Inquisição nos moldes do espanhol. A nobreza e o povo se amotinaram e a sedição foi afogada em sangue. Isso resultou numa verdadeira guerra civil. As súplicas e mediações de São Caetano foram em vão. Como registra a bula de sua canonização, “quebrantado pela dor ao ver Deus ofendido pelos tumultos populares, e mais ainda pela suspensão do Concílio de Trento, no qual havia posto tantas esperanças, caiu enfermo de morte”(11) e faleceu no dia 7 de Agosto de 1547. A bula diz ainda que, no mesmo dia de seu falecimento, cessaram todas as revoltas populares, segundo se crê por sua intercessão.

O seu ofício litúrgico afirma que São Caetano, por seu infatigável zelo, mereceu ser chamado Caçador das almas. O povo cristão o invoca com o título de Pai de Providência, porque sua intercessão é muito eficaz para se obter para as famílias e indivíduos os dons da Providência Divina. Um escritor, referindo-se ao santo, afirmou que, “como homem e como sacerdote, é a primeira figura da idade moderna.”(12)

Plinio Maria Solimeo

Notas:
1. William Barry, The Renaissance, The Catholic Encyclopedia, CD Rom edition.
2. Revolução e Contra Revolução, Parte I, Cap. III, 5 B, Catolicismo nº 100 (abril/199).
3. Fr. Justo Perez de Urbel, Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo III, p. 300.
4. Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Zaragoza, 1948, tomo IV, p. 385.
5. Pedro Antonio Rullán, San Cayetano de Thiene, Gran Enciclopédia Rialp, Ediciones Rialp, Madri, 1971, tomo V, p. 419.
6. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1822, tomoIX, p. 380.
7. Cfr. Pedro Antonio Rullán, op. cit. p. 418.
8. Cfr. http://www.corazones.org/santos/cayetano.htm.
9. Pedro Antonio Rullán, op. cit. p. 418.
10. Id. Ib.
11. Id. Ib.
12. Julio Salvatori, apud Pedro Antonio Rullán, op. cit. p. 419.


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Peregrinação Summorum Pontificum 2017: 14 a 17 de Setembro em Roma

Este ano passam 10 anos do Motu Proprio Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI, que regulou a liturgia romana tradicional, sublinhou a sua importância e explicou que ninguém pode abrogar algo que foi considerado santo na Igreja durante 1500 anos. 

Esta comemoração é mais um motivo para participar na já tradicional peregrinação 'Populus Summorum Pontificum ad Petri sedem', que todos os anos junta em Roma muitos bispos, sacerdotes e fiéis afectos ao rito tradicional.

No dia 14, das 9h às 18h, teremos uma série de conferências na Universidade Pontifício de São Tomás de Aquino (mais conhecida como Angelicum). Entre os oradores contam-se o Cardeal Robert Sarah, o Cardeal Gerhard Müller e o Arcebispo Guido Pozzo, da Ecclesia Dei. Às 18h30 Vésperas Solenes celebradas por Mons. Georg Gänswein, Prefeito da Casa Pontifícia e e secretário do Papa Bento XVI.  

No dia 15, destaque para a Via Crucis às 16h e para a Missa Solene às 19h, celebrada pelo Superior-Geral do Instituto de Cristo Rei Sumo Sacerdote, Mons. Gilles Wach.

No dia 16, a procissão solene pelas ruas de Roma, que termina na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Aí, no altar da Cátedra, será celebrada Missa Pontifical pelo Cardeal Carlo Cafarra às 11h.

No dia 17, na igreja da Santissima Trinità dei Pellegrini, Missa solene em Rito Dominicano às 11h celebrada pelo Padre Dominique-Marie de Saint-Laumer, Prior-Geral da Fraternitade São Vicente Ferrer.

Aqui fica o site da peregrinação, para mais informações: Summorum Pontificum 2017


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