segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Nos Estados Unidos acabou o financiamento das ONG's abortistas

Donald Trump assina a ordem executiva que faz com que qualquer ONG que promova o aborto no mundo deixe de receber fundos do governo federal americano.


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Missa de D. Fernando Rifan em Lisboa

Ontem, Domingo, dia de S. Vicente, padroeiro do Patriarcado de Lisboa, o Msgr. Fernando Rifan, bispo da Administração Apostólica S. João Maria Vianney celebrou, na igreja de S. Nicolau, uma Missa Cantata.

O Senza marcou presença e apresentamos uma reportagem exclusiva:

Antes do Evangelho ser cantado, o Turiferário apresenta o turíbulo e o Mestre de Cerimónias a naveta. O bispo impõe o incenso, dizendo: "Ab illo benedicaris in cuius honore cremaberis. Amen" - "Sejas abençoado por Ele na honra de Quem serás queimado. Amen"

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O bispo incensa as oblatas, traçando sobre elas três cruzes e três voltas (duas para a esquerda e uma para a direita), dizendo: "Incensum istud a te benedictum ascendat ad te, Domine et descendat super nos misericordia tua." - "Suba até Vós, Senhor, este incenso, que Vós abençoastes, e que a Vossa misericórdia desça até nós." De seguida, incensa o altar e é incensado pelo Mestre de Cerimónias.

"Dominus meus et Deus meus."

Antes de distribuir a comunhão aos fiéis, o bispo comunga do cálice e os servos rezam o 2º Confiteor.

Ao som da antífona mariana deste tempo, prepara-se a procissão de saída, após a leitura do Último Evangelho. "Alma Redemptoris Mater, (...) peccatórum miserére."

No fim, D. Fernando Rifan ficou para os fiéis o poderem cumprimentar.

Deo gratias!


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domingo, 22 de janeiro de 2017

Um bebé brinca na barriga da sua Mãe

Passam hoje 44 anos do acontecimento trágico que legalizou o aborto nos Estados Unidos da América: o julgamento Roe vs. Wade. O aborto, matar um bebé inocente, passou a ser considerado um "direito" naquele país, e, depois disso, em muitos outros países.

Neste vídeo vemos um bebé que brinca na barriga da sua Mãe. Não é um amontoado de células. Não é uma coisa. É um bebé. É um ser humano. Segundo a Mãe, o seu filho teria entre 8 a 12 semanas quando foi feito aquele ultrassom.

As leis abortistas permitem que se matem bebés com essas semanas de vida. Aquele bebé, que naquele momento brincava, poderia estar feito em bocados, bastando para isso que a Mãe tomasse essa decisão dramática. Isto deve-nos fazer pensar. E rezar para que tudo isto acabe depressa.


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Ex-recluso conta como os visitadores católicos mudaram a sua vida na prisão

José Silva esteve três anos e sete meses preso na cadeia de Angra do Heroísmo por tráfico de droga. Em pequeno ia à Missa com os pais mas o hábito foi-se perdendo à medida que outros interesses o iam puxando para a vida terrena. Ao ponto de ter entrado no mundo da droga, o mesmo que o levou à cela da prisão. Ali, além das paredes frias e dos olhares julgadores, encontrou quem lhe mudaria a vida. Deus. Os visitadores da pastoral penitenciária foram a “tábua de salvação”, diz o jovem cabo-verdiano.

Sem família na ilha, José Silva ansiava por chegar ao fim de semana para se encontrar com os visitadores e “aquela hora que eu passava com eles era tudo para mim”. Visitas habituais que se misturavam com outras esporádicas “nas festas, quando fazia anos eles faziam um bolo e iam lá cantar os parabéns”. 

Gestos que levam o jovem a admitir que “fui bombardeado com amor e carinho”. E isso é o que faz as pessoas mudarem porque “uma pessoa por mais mal que fez, se for atacado com amor e carinho, tem de parar para pensar um bocadinho”. 

A postura de não julgamento dos visitadores foi determinante, confessa o jovem, que salienta que “essas pessoas não querem saber o que é que eu fiz, essas pessoas estão simplesmente a mostrar amor e carinho e isso é que é importante.” E, assim, conseguem fazer vir ao de cima o melhor que a pessoa tem escondido lá dentro, ”conseguem cativar na pessoa outra perspectiva de vida, outra maneira de ver as coisas.” 

No seu ponto de vista, “é por aí que a pessoa pode mudar” e não através do julgamento e da condenação. Como provou Jesus Cristo em toda a sua breve vida. “O castigo só revolta a pessoa”, garante o ex-recluso. “Nós precisamos de pessoas que olhem para nós com amor de mãe, foi esse amor de mãe que eu senti lá dentro por parte dos visitadores”. 

Um apoio que não pediu mas que foi oferecido pelos próprios colaboradores da pastoral penitenciária. Começou por ir à Missa e gostou tanto que “nos últimos anos já fui à Missa mais vezes do que em toda a minha vida”. E se havia um dia em que não podia ir à Missa “ficava triste”. 

Lembra-se de um desses dias. Foi quando a imagem de Nossa Senhora de Fátima esteve na cadeia. Devido a um problema administrativo, o seu nome não constava da lista dos reclusos que iriam assistir à celebração. Enquanto a Missa decorria, as lágrimas corriam pela sua face. Uma situação que, ao menos, serviu para sentir, admite, “a necessidade de estar lá”. Agora, cada vez que vai à missa tem “uma sensação inexplicável de que só consegue ter uma noção quem a consegue sentir”.

“A minha vida mudou bastante” diz. “Já li a Bíblia umas três vezes do princípio ao fim, levo o meu filho de sete anos à catequese, rezo com ele e já aprendi muitas orações que não sabia”. “Hoje tenho outra vida”, diz, reconhecido, o jovem que pisou este Sábado pela primeira vez o solo de Fátima, embora esteja há 27 anos a viver em Portugal.

Paula Costa Dias in Rádio Renascença


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sábado, 21 de janeiro de 2017

Domingo: Santa Missa na Forma Extraordinária com D. Fernando Rifan



Amanhã, Domingo, na Igreja de S. Nicolau, haverá Missa na Forma Extraordinária (também conhecida por Missa antiga ou Missa tridentina) com o bispo D. Fernando Rifan, às 17h00m.


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O corajoso martírio e a santa pureza de Santa Inês

Entre as heroínas da Igreja primitiva, que derramaram o sangue em testemunho da fé é Santa Inês aquela a que os Santos Doutores da Igreja tecem os maiores elogios. São Jerónimo, em referência a esta santa, escreve: “Todos os povos são unânimes em louvar Santa Inês, porque vencendo a fraqueza da idade e o tirano, coroou a virgindade com a morte do martírio”. De modo semelhante se exprimem Santo Ambrósio e Santo Agostinho. Com Maria Santíssima e Santa Tecla, Santa Inês é invocada para obter-se a virtude da pureza.

Inês nasceu em Roma, descendente de família nobre. Logo que soube avaliar a excelência da pureza virginal, ofereceu-a a Deus, num santo voto. A riqueza, formosura e nobre origem de Inês fizeram com que diversos jovens, de famílias importantes de Roma a pedissem em casamento. A todos Inês respondia que seu coração já pertencia a um esposo invisível a olhos humanos. Do amor ao ódio é só um passo.

As declarações de amizade e afecto dos pretendentes seguiu-se a denúncia, que arrastou a donzela ao tribunal, para defender-se contra a acusação de ser cristã. A maneira como o juiz a tratou, para conseguir que abandonasse a religião, obedeceu ao programa costumeiro em tais ocasiões: elogios, desculpas, galanteios e promessas. Experimentada a ineficácia destes recursos, entravam em cena, imposições, ameaças, insultos, brutalidades. O juiz fez Inês saborear todos os recursos da força inquisitorial da justiça romana.

Inês não se perturbou. Mesmo quando lhe mostraram os instrumentos de tortura, cujo simples aspecto era bastante para causar espanto ao homem mais forte, Inês olhou-os com indiferença e desprezo. Arrastada com brutalidade ao lugar onde se achavam imagens de deuses e intimada a queimar incenso, a donzela levantou as mãos puríssimas ao céu, para fazer o sinal da cruz. No auge do furor, vendo frustrados todos os esforços e posta ao ridículo sua autoridade, o juiz teve uma inspiração diabólica: mandar a donzela a uma casa de pecado. Inês respondeu-lhe: “Jesus Cristo vela sobre a pureza da sua esposa e não permitirá que lha roubem. Ele é meu defensor e abrigo. Podes derramar o meu sangue. Nunca, porém, conseguirás profanar o meu corpo, que é consagrado a Jesus Cristo”.

A ordem do juiz foi executada e daí a pouco Inês foi levada para o lugar da prostituição. Dos diversos rapazes que lá estavam, só um teve o atrevimento de se aproximar de Inês, com malignos intuitos. Mas, no momento em que ia estender a mão contra ela, caiu por terra, como fulminado por um raio. Os companheiros, tomados por um grande pavor, tiraram o corpo do infeliz e levaram-no para outro lugar. Não estava morto, como todos supuseram no primeiro momento, mas aos olhos faltou-lhes a luz. Inês rezou sobre ele e a cegueira desapareceu.

O juiz, profundamente humilhado com esta inesperada vitória da Santa, deu ordem para que fosse decapitada.

Ao ouvir esta sentença, a alma de Inês encheu-se de júbilo. Maior não podia ser a satisfação e a alegria da jovem noiva, ao ver aproximar-se o dia das núpcias, que o prazer que Inês experimentou, quando ouviu dos lábios do juiz o convite para as núpcias eternas com Jesus Cristo, o seu celeste esposo. O algoz tinha recebido ordem para, antes de executar a sentença de morte, convidar a Inês para prestar obediência à intimação do juiz. Inês rejeitou com firmeza . Ajoelhando-se, inclinou a cabeça, ao que parecia para prestar a Deus a última adoração aqui na terra, quando a espada do algoz lhe deu o golpe de morte. Os presentes, vendo este triste e ao mesmo tempo grandioso espectáculo, soluçavam alto.

Santa Inês completou o martírio a 21 de Janeiro de 304 ou 305. tendo apenas a idade de 13 anos. No tempo do imperador Constantino foi construída em Roma uma igreja dedicada à gloriosa mártir.

Santa Inês é padroeira das Filhas de Maria, por causa da sua pureza Angélica. Os jardineiros também a veneram como padroeira, por ser o modelo perfeito da pureza, como Maria Santíssima, que é chamada “hortus conclusus”, horto fechado. É padroeira dos noivos, por ter-se chamado esposa de Cristo. 

Do nome Inês há duas interpretações, a grega e a latina. Inês em grego é Hagne, isto é, pura; em latim, agna significa cordeirinho. Na Igreja latina prevaleceu esta interpretação. Dois dias depois da sua morte, a mártir apareceu a seus pais, acompanhada de um grupo de virgens, tendo ao seu lado um cordeirinho. 

Santo Agostinho admitia as duas interpretações. “Inês, diz ele, significa em latim um cordeirinho e em grego, a pura”. – No dia da festa desta Santa, na sua igreja em Roma são apresentados e bentos cordeirinhos, de cuja lã são confeccionados os “pálios” dos Arcebispos.

in farfalline


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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Nossa Senhora de Guadalupe na tomada de posse de Donald Trump

Melina Mara, uma fotógrafa do 'The Washington Post' fotografou as meias que Ryan Zinke, nomeado por Donald Trump para Secretário do Interior, usou hoje na tomada de posse do novo presidente dos Estados Unidos da América. Mas por quê tirar uma fotografia às meias de alguém? Bem, pelos vistos estas eram meias especiais...continham a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América.

Que Nossa Senhora de Guadalupe ajude os norte-americanos a lutar contra os graves problemas morais do seu País, começando pela luta contra o aborto.


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Existem dois tipos de martírio: um público e um oculto

S. Sebastião - Guido Reni (Musei Capitolini)
Uma vez que hoje celebramos a festa dum mártir, irmãos, devemos preocupar-nos com a forma de paciência praticada por ele. Com efeito, se, com a ajuda do Senhor, nos esforçarmos por manter essa virtude, obteremos sem dúvida a palma do martírio, ainda que vivamos na paz da Igreja. 

Porque há dois tipos de martírio: o primeiro consiste numa disposição do espírito; o segundo alia a essa disposição os actos da existência. Por isso, podemos ser mártires mesmo sem morrermos executados pelo gládio do carrasco. Morrer às mãos dos perseguidores é o martírio em acto, na sua forma visível; suportar as injúrias amando quem nos odeia é o martírio em espírito, na sua forma oculta.

Que haja dois tipos de martírio, um oculto, o outro público, a própria Verdade o comprova quando pergunta aos filhos de Zebedeu: «Podeis beber o cálice que Eu hei-de beber?» E à sua asserção, «Podemos», o Senhor riposta: «Bebereis do meu cálice.» Ora, que pode significar para nós este cálice, senão os sofrimentos da sua Paixão, da qual diz noutro sítio: «Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice» (Mt 26,39)? Os filhos de Zebedeu, Tiago e João, não morreram ambos mártires, mas foi a ambos que o Senhor disse que haviam de beber esse cálice.

De facto, se bem que não viesse a morrer mártir, João acabou todavia por sê-lo, já que os sofrimentos que não sentiu no corpo os sentiu na alma. Devemos então concluir do seu exemplo que nós próprios podemos ser mártires sem passar pela espada, se conservarmos a paciência da alma.

São Gregório Magno in Homilias sobre os Evangelhos, n.º 35 


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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Silêncio: Fidelidade ou apostasia?

(Atenção: este texto contém spoilers que contam o fim do filme.)

Estreou o Silêncio de Martin Scorsese. O filme tem gerado muita polémica. Muitos têm interpretado a apostasia do Pe. Rodrigues, protagonista, como um acto bom. Outros, escandalizados com esta interpretação, rejeitam o filme por completo.

Mas o filme é muito maior do que o problema da apostasia. Um dos melhores realizadores de cinema, um extraordinário elenco japonês e cenários incríveis das ilhas japonesas fazem-nos viver cada cena do filme. Um martírio filmado assim não deixa ninguém indiferente. E no filme há vários, lembrando as dezenas de milhares de cristãos que foram martirizados no Japão nesta altura.

Uma das ideias favoráveis à apostasia é a de que o Japão é um pântano onde nada ganha raízes. O Pe. Cristóvão Ferreira, o primeiro jesuíta a negar a fé sob tortura, diz que os japoneses convertidos nunca tinham compreendido o Cristianismo a sério. Segundo Ferreira, o culto Cristão dos japoneses não era senão o culto budista ao "deus Sol". Num país assim, não seria mau negar a fé em público e viver as práticas do Japão e do budismo, ajudando os locais de outras maneiras. Mas o filme mostra ao mesmo tempo como esta ideia é falsa. Nenhum japonês seria capaz de passar por torturas tão duras e no fim morrer por um "deus Sol". No início, três mártires japoneses morrem crucificados à beira mar, torturados à fome e afogados pelo encher da maré. Mas estes humildes japoneses morrem por um verdadeiro amor a Deus e pela Sua Mãe, Maria Santíssima. Mais ainda, morrem a cantar o Tantum ergo, um famoso hino eucarístico da tradição da Igreja, esquecido pela maior parte dos Cristãos do século XXI, mas não por aqueles japoneses que deram a vida pela Fé.   

Até ao momento da apostasia, na última parte do filme, os padres jesuítas estão sempre em contacto com estes Cristãos clandestinos do Japão. Primeiro vivem com eles em liberdade e depois nas prisões japonesas. O filme mostra como os Cristãos alimentavam a Fé através de pequenas coisas diárias, sempre iguais. Por exemplo, os Cristãos não só abençoavam sempre as refeições, como o faziam sempre com a mesma oração em latim. A fidelidade com que os japoneses rezavam dava-lhes Paz, mesmo já na prisão. Esta Paz contrastava com a agitação do Pe. Rodrigues, que quase se zanga por ver os Cristãos japoneses tão calmos. A agitação do Pe. Rodrigues leva-o a abandonar essas orações regulares que os outros faziam, e por mais do que uma vez Scorsese mostra-o a esquecer-se de abençoar a refeição antes de comer.
A fé do Pe. Rodrigues torna-se sentimental, baseada em "sinais" como ver o rosto de Cristo na água, que não dão fundamento à Fé. No fim, desesperado por ver tantos Cristãos a serem massacrados, julga ouvir a voz de Jesus a dizer-lhe para apostatar. O filme mostra muito bem o processo que leva um Cristão a negar a Cristo. Não é com leviandade que um sacerdote nega a Cristo. A apostasia é o culminar de um processo longo, que já tinha começado muito antes. O fim do filme é perturbador não só pela apostasia do Pe. Rodrigues, mas porque esta não é diferente do que se passa hoje no Ocidente. Todos conhecemos pessoas que não são Católicas, mas que em tempos o foram. Este processo, que começou com uma transformação interior da Fé, culmina com a própria pessoa a achar que está a fazer bem ao negar a Cristo, tal como acontece com o Pe. Rodrigues.

Silêncio é um filme que não acaba bem. O Pe. Rodrigues fracassa, nega a Fé e vive várias décadas no Japão budista. Estes budistas, surpreendentemente diferentes dos pacifistas que o mundo apresenta, massacraram milhares de Cristãos conterrâneos no século XVII. Obrigaram o Pe. Rodrigues a viver com uma mulher, a escrever livros contra a Igreja, a identificar Cristãos clandestinos e a negar a Fé regularmente. Ainda assim, quando tudo parecia perdido, Deus teve a última palavra. E a Igreja Católica não só ganhou raízes no Japão como sobreviveu até aos dias de hoje.

Nuno CB


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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Um coração puro consegue ver Cristo nos que mais precisam de Cristo



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Apelo de 3 Bispos para que o Papa Francisco defenda o Matrimónio

No dia 18 de Janeiro, dia da antiga festa da Cátedra de São Pedro, Tomash Peta, Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Maria Santissima em Astana; Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda e Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santissima em Astana lançaram um Apelo à oração: para que o Papa Francisco confirme a imutável prática da Igreja relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio. Ao acolher este pedido, publicamos aqui o texto completo.

Apelo à oração:
para que o Papa Francisco confirme a imutável prática da Igreja
relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio


Após a publicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, em algumas igrejas particulares, foram publicadas normas aplicativas e interpretações, segundo as quais os divorciados que atentaram o matrimónio com um novo parceiro apesar do vínculo sacramental com o qual estão unidos aos seus legítimos cônjuges, são admitidos aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem cumprirem o dever divinamente estabelecido de cessarem a violação do seu vínculo matrimonial sacramental.

A convivência more uxorio com uma pessoa que não seja o legítimo cônjuge é ao mesmo tempo uma ofensa à Aliança da salvação, da qual o matrimónio sacramental é sinal (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2384), e uma ofensa ao carácter esponsal do próprio mistério eucarístico. O Papa Bento XVI pôs em relevo essa mesma correlação: «A Igreja corrobora de forma inexaurível a unidade e o amor indissolúveis de cada matrimónio cristão. Neste, em virtude do sacramento, o vínculo conjugal está intrinsecamente ligado com a união eucarística entre Cristo esposo e a Igreja esposa (Ef 5, 31-32)» – Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 27.

Pastores da Igreja que toleram ou até autorizam – mesmo que em casos singulares ou excepcionais – que divorciados assim chamados "recasados" possam receber o sacramento da Eucaristia sem que tenham a "veste nupcial", a despeito de que o próprio Deus na Sagrada Escritura (cf. Mt 22, 11 e 1 Cor 11, 28-29) o tenha prescrito com vista a uma participação digna no banquete nupcial eucarístico, colaboram, desta forma, com uma ofensa contínua contra o vínculo do sacramento do matrimónio, contra o vínculo nupcial entre Cristo e a Igreja e contra o vínculo nupcial entre Cristo e a alma que recebe o Seu Corpo eucarístico.

Diversas igrejas particulares emanaram ou recomendaram as seguintes orientações pastorais formuladas assim ou de modo similar: «Assim, se esta escolha [viver em continência] for difícil de pôr em prática para a estabilidade do casal, a Amoris laetitia não exclui a possibilidade de ter acesso à Penitência e à Eucaristia. Isto significa uma certa abertura, como no caso em que há a certeza moral de que o primeiro matrimónio foi nulo, mas sem que haja qualquer prova para o demonstrar em sede judicial [...] Portanto, não pode ser outro senão o confessor que, a um certo ponto, em consciência, depois de muita reflexão e oração, assume a responsabilidade diante de Deus e do penitente, e solicita que o acesso aos sacramentos aconteça de forma reservada.»

As mencionadas orientações pastorais contradizem a tradição universal da Igreja Católica, que através do ininterrupto ministério Petrino dos Sumos Pontífices sempre guardou fielmente e sem sombra de dúvida ou ambiguidade, tanto na doutrina como na prática, tudo o que diz respeito à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio.

As referidas normas e orientações pastorais contradizem também na prática as seguintes verdades e doutrinas que a Igreja Católica tem continuamente e de forma segura ensinado.

·  A observância dos Dez Mandamentos de Deus, e em particular do Sexto Mandamento, é obrigatória para qualquer pessoa humana sem excepção, sempre e em qualquer situação. Nestas matérias, não podem ser aceites casos ou situações excepcionais ​​ou que se fale em termos de um ideal mais pleno. São Tomás de Aquino diz: «Os preceitos do Decálogo contêm a própria intenção do legislador, isto é, de Deus. Portanto, os preceitos do Decálogo não admitem dispensa alguma» (Summa theol., 1-2, q. 100, a. 8c).

· As exigências morais e práticas decorrentes da observância dos Dez Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimónio, não são simples normas ou leis positivas da Igreja, mas a expressão da vontade santa de Deus. Sendo assim, não se pode falar, neste contexto, do primado da pessoa sobre a norma ou a lei, mas deve falar-se, em vez disso, do primado da vontade de Deus sobre a vontade da pessoa humana pecadora, para que esta seja salva, cumprindo com a ajuda da graça a vontade de Deus.

· Acreditar na indissolubilidade do matrimónio e contradizê-la com os próprios actos, considerando-se, ao mesmo tempo, livre de pecado grave, de modo a tranquilizar a própria consciência apenas pela fé na misericórdia Divina, é um auto-engano, contra o qual avisou Tertuliano, uma testemunha da fé e da prática da Igreja nos primeiros séculos: «Alguns dizem que para Deus é suficiente que se aceite a Sua vontade com o coração e com a alma, mesmo que as acções não correspondam: pensam, deste modo, poder pecar mantendo íntegro o princípio da fé e do temor a Deus: isto é exactamente como se alguém pretendesse manter um princípio de castidade, violando e corrompendo a santidade e a integridade do vínculo matrimonial» (Tertuliano, De paenitentia 5, 10).

·  A observância dos Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimónio, não pode ser apresentada como um ideal mais pleno a ser alcançado de acordo com o critério do bem possível ou factível. Trata-se sim de um dever ordenado inequivocamente pelo próprio Deus, cujo desrespeito implica, de acordo com a Sua palavra, a condenação eterna. Dizer aos fiéis o contrário seria enganá-los e empurrá-los para desobedecerem à vontade de Deus, colocando desta forma em risco a sua salvação eterna.

· Deus dá a cada homem a ajuda necessária para guardar os Seus mandamentos, sempre que ele Lho peça rectamente, como a Igreja infalivelmente ensinou: «Deus jamais nos pede coisas impossíveis, mas quando pede uma coisa, aconselha que apenas façamos aquilo que pudermos, e que peçamos aquilo que não tivermos a possibilidade de fazer, pois Ele sempre nos ajuda com Suas graças para que consigamos fazer aquilo que Ele nos pede» (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 11); e «Se alguém disser que é impossível ao homem, ainda que baptizado e constituído em graça, observar os mandamentos de Deus, seja excomungado» (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 18). Seguindo esta doutrina infalível, São João Paulo II ensinou: «A observância da lei de Deus, em determinadas situações, pode ser difícil, até dificílima: nunca, porém, impossível. Este é um ensinamento constante da tradição da Igreja» (Encíclica Veritatis Splendor, 102) e «Todos os cônjuges são chamados, segundo o plano de Deus, à santidade no matrimónio, e esta alta vocação realiza-se na medida em que a pessoa humana está em condições de responder ao comando divino com espírito sereno, confiando na graça divina e na vontade própria» (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 34).

· O acto sexual fora de um matrimónio válido e, especialmente, o adultério, é sempre objectivamente um pecado grave, e nenhuma circunstância ou fim pode torná-lo admissível e agradável aos olhos de Deus. São Tomás de Aquino diz que o Sexto Mandamento é obrigatório, mesmo no caso em que, com um acto de adultério, se pudesse salvar um país da tirania (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5). São João Paulo II ensinou também esta verdade perene da Igreja: «Os preceitos morais negativos, ou seja, os que proíbem alguns actos ou comportamentos concretos enquanto intrinsecamente maus, não admitem qualquer excepção legítima; eles não deixam nenhum espaço moralmente aceitável para a «criatividade» de qualquer determinação contrária. Uma vez reconhecida, em concreto, a espécie moral de uma acção proibida por uma regra universal, o único acto moralmente bom é o de obedecer à lei moral e abster-se da acção que ela proíbe» (Encíclica Veritatis splendor, 67).

·  Uma união adúltera de divorciados "recasados" civilmente, "consolidada", como se diz, no tempo, e caracterizada por uma assim dita "comprovada fidelidade" no seu pecado de adultério, não pode alterar a qualidade moral do seu acto de violação do vínculo sacramental do matrimónio, ou seja, do seu adultério, que é sempre um acto intrinsecamente mau. Uma pessoa que tem uma verdadeira fé e temor filial a Deus nunca pode ter "compreensão" com actos intrinsecamente maus, como é o caso dos actos sexuais fora do matrimónio válido, uma vez que estes actos ofendem a Deus.

· Uma admissão dos divorciados "recasados" à Sagrada Comunhão constitui, na prática, uma dispensa implícita de cumprimento do Sexto Mandamento. Nenhuma autoridade eclesiástica tem o poder de conceder tal dispensa implícita nem mesmo num só caso ou numa qualquer situação excepcional e complexa, nem que seja com a finalidade de alcançar um bom fim (como por exemplo a educação da prole nascida duma união adúltera), invocando para a concessão de tal dispensa o princípio da misericórdia, da "via caritatis", o cuidado materno da Igreja, ou afirmando, em tal caso, não querer pôr tantas condições à misericórdia. São Tomás de Aquino disse: «por nenhum fim alguém pode cometer adultério; pro nulla enim utilitate debet aliquis adulterium committere» (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5).

·  Uma normativa que permite a violação do Sexto Mandamento de Deus e do vínculo sacramental do matrimónio apenas num único caso ou em casos excepcionais, para evitar, presumivelmente, uma mudança geral das normas canónicas, significa sempre, porém, uma contradição da verdade e da vontade de Deus. Consequentemente, é psicologicamente enganador e teologicamente errado falar, neste caso, de uma normativa restritiva ou de um mal menor em contraste com a normativa de carácter geral.

· Sendo o matrimónio válido entre baptizados um sacramento da Igreja e, pela sua natureza, uma realidade de carácter público, um julgamento subjectivo da consciência sobre a nulidade do próprio matrimónio, por contraposição à respectiva sentença definitiva do tribunal eclesiástico, não pode ter consequências para a disciplina sacramental, que tem sempre um carácter público.

· A Igreja e, especificamente, o ministro do sacramento da Penitência, não têm a faculdade para julgar o estado da consciência dos fiéis ou a rectidão de intenção da consciência, uma vez que «ecclesia de occultis non iudicat» (Concílio de Trento, Sess. 24, cap. 1). O ministro do sacramento da Penitência não é, portanto, o vigário ou o representante do Espírito Santo, de modo que possa entrar com a Sua luz nas dobras da consciência, pois Deus reservou para Si o acesso à consciência: «sacrarium in quo homo solus est cum Deo» (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 16). O confessor não pode arrogar-se a responsabilidade diante de Deus para dispensar implicitamente o penitente da observância do Sexto Mandamento e da indissolubilidade do vínculo matrimonial através da admissão à Santa Comunhão. A Igreja não tem o poder de fazer derivar com base numa pretensa convicção da consciência sobre a invalidade do próprio matrimónio no foro interno, consequências para a disciplina sacramental no foro externo.

·  Uma prática que permite que as pessoas divorciadas civilmente, e assim ditas "recasadas", recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia não obstante a sua intenção de continuar a violar o Sexto Mandamento e o seu vínculo matrimónio sacramental, é contrária à Verdade Divina e alheia ao sentido perene da Igreja Católica e ao comprovado costume recebido e fielmente preservado desde os tempos dos Apóstolos, e recentemente confirmado de modo seguro por São João Paulo II (cf. Exortação Apostólica Familiaris consortio, 84) e pelo Papa Bento XVI (cf. Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 29).

· A prática mencionada seria para todo o homem que raciocina uma ruptura clara e, portanto, não representaria um desenvolvimento em continuidade com a prática apostólica e perene da Igreja, visto que contra um facto evidente não vale qualquer argumento: contra factum non valet argumentum. Uma tal prática pastoral seria um contra-testemunho da indissolubilidade do matrimónio, e uma espécie de cooperação por parte da Igreja na difusão da "praga do divórcio", sobre a qual alertou o Concílio Vaticano II (cf. Gaudium et spes, 47).

· A Igreja ensina através daquilo que faz, e deve fazer aquilo que ensina. Sobre a acção pastoral em relação às pessoas em uniões irregulares dizia São João Paulo II: «A acção pastoral procurará fazer compreender a necessidade da coerência entre a escolha de um estado de vida e a fé que se professa, e tentará todo o possível para levar tais pessoas a regularizar a sua situação à luz dos princípios cristãos. Tratando-as embora com muita caridade, e interessando-as na vida das respectivas comunidades, os pastores da Igreja não poderão infelizmente admiti-las aos sacramentos» (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 82).

· Um acompanhamento autêntico das pessoas que se encontram num estado objetivo de pecado grave, e o correspondente caminho de discernimento pastoral, não podem subtrair-se a anunciar a essas pessoas, com caridade, toda a verdade sobre a vontade de Deus, a fim de que se arrependam de todo o coração dos actos pecaminosos de viver juntos, more uxorio, com uma pessoa que não é o seu legítimo cônjuge. Ao mesmo tempo, um acompanhamento e discernimento pastoral autênticos devem encorajá-las a que, com a ajuda da graça de Deus, parem de cometer tais actos no futuro. Os Apóstolos e toda a Igreja, ao longo destes dois mil anos, anunciaram sempre aos homens toda a verdade de Deus no que diz respeito ao Sexto Mandamento e à indissolubilidade do matrimónio, seguindo o aviso de São Paulo Apóstolo: «Jamais recuei quando era preciso anunciar-vos toda a vontade de Deus» (Act 20, 27).

·  A prática pastoral da Igreja sobre o matrimónio e o sacramento da Eucaristia tem tal importância, e consequências de tal modo decisivas para a fé e para a vida dos fiéis, que a Igreja, para permanecer fiel à palavra revelada por Deus, deve evitar nesta matéria qualquer sombra de dúvida e confusão. São João Paulo II formulou esta verdade perene da Igreja assim: «É minha intenção inculcar em todos o vivo sentido de responsabilidade, que sempre nos deve guiar ao tratar das coisas sagradas; estas não são propriedade nossa, como é o caso dos Sacramentos; ou então têm direito a não serem deixadas na incerteza e na confusão, como são as consciências. Coisas sagradas — repito — são uns e outras: os Sacramentos e as consciências; e exigem da nossa parte serem servidas com verdade. Esta é a razão da lei da Igreja» (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 33).

Não obstante as repetidas declarações a respeito da imutabilidade da doutrina da Igreja em relação ao divórcio, numerosas igrejas particulares aceitam-no agora através da prática sacramental, e esse fenómeno está em crescimento. Apenas a voz do Supremo Pastor da Igreja pode evitar definitivamente que no futuro se venha a caracterizar a situação da Igreja dos nossos dias com a seguinte expressão: "O mundo inteiro gemeu e percebeu com espanto que tinha aceitado o divórcio na prática" (ingemuit totus orbis, et divortium in praxi se accepisse miratus est), recordando um dito análogo com o qual São Jerónimo caracterizou a crise ariana.

Tendo em conta este perigo, que é real, e a ampla disseminação da praga do divórcio dentro da vida da Igreja, que é implicitamente legitimada pelas mencionadas normas e orientações de aplicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, uma vez que essas normas e orientações de algumas igrejas particulares se tornaram, num mundo globalizado, de domínio público, e uma vez que as muitas súplicas feitas em privado e de modo confidencial ao Papa Francisco, por parte de muitos fiéis e Pastores da Igreja, se mostraram ineficazes, somos forçados a fazer este urgente apelo à oração. Como sucessores dos Apóstolos, também nos impele a obrigação de levantar a voz quando se encontram em perigo as coisas mais sagradas da Igreja e a salvação eterna das almas.

As seguintes palavras de São João Paulo II, com as quais ele descreveu os ataques injustos contra a fidelidade do Magistério da Igreja, sejam para todos os Pastores da Igreja, nestes tempos difíceis, uma luz e um impulso para uma acção cada vez mais unida: «Não raro, de facto, o Magistério da Igreja é acusado de estar superado já e fechado às instâncias do espírito dos tempos modernos; de realizar uma acção nociva para a humanidade, e inclusive para a própria Igreja. Ao manter-se obstinadamente nas próprias posições — diz-se —, a Igreja acabará por perder popularidade e os fiéis afastar-se-ão cada vez mais dela» (Carta às Famílias, Gratissimam sane, 12).
  
Considerando que a admissão dos divorciados ditos "recasados" aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia, sem que lhes seja pedido o cumprimento da obrigação de viverem em continência, constitui um perigo para a fé e para a salvação das almas, e ainda uma ofensa à santa vontade de Deus, tendo também em conta que tal prática pastoral, por consequência, jamais pode ser uma expressão da misericórdia, da "via caritatis" ou do sentido maternal da Igreja para com as almas pecadoras, fazemos este apelo à oração profunda solicitude pastoral, para que Papa Francisco revogue de forma inequívoca as orientações pastorais já introduzidas em algumas igrejas particulares. Tal acto da Cabeça visível da Igreja confortaria os Pastores e fiéis segundo o mandamento que Cristo, Supremo Pastor das almas, deu ao apóstolo Pedro e, através dele, a todos os seus sucessores: «Confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32).

Que as vozes de um Papa Santo e de uma Doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena, sirvam para todos, na Igreja dos nossos dias, de luz e fortalecimento:

«O erro ao qual não se resiste, será aprovado. A verdade que não se defende, será oprimida» (Papa São Félix III, † 492). «Santo Padre, Deus escolheu-Vos para coluna da Igreja, de modo que sois o instrumento para extirpar a heresia, confundir as mentiras, exaltar a Verdade, dissipar as trevas e manifestar a luz» (Santa Catarina de Sena, † 1380).

No ano 638, quando o Papa Honório I adoptou uma atitude ambígua diante da difusão da nova heresia do monotelismo, São Sofrónio, Patriarca de Jerusalém, enviou um bispo desde a Palestina até Roma dizendo-lhe estas palavras: “Vai à Sé Apostólica, onde estão os fundamentos da santa doutrina, e não cesses de rezar até que a Sé Apostólica condene a nova heresia.” A condenação veio depois, em 649, por obra do Papa santo e mártir Martinho I.

Fizemos este apelo à oração, cientes de que teríamos cometido um acto de omissão caso não o tivéssemos feito. É Cristo, Verdade e Supremo Pastor, Quem nos julgará quando vier. A Ele pedimos com humildade e confiança que retribua todos os pastores e todas as ovelhas com a coroa imperecível da glória (cf. 1 Pe 5, 4).

Em espírito de fé e com afecto filial e devoto, elevamos a nossa oração pelo Papa Francisco: "Oremus pro Pontifice nostro Francisco: Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius. Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam Meam, et portae inferi non praevalebunt adversus eam".

Como meio concreto, recomendamos rezar todos os dias esta antiga oração da Igreja ou uma parte do santo rosário com a intenção de que o Papa Francisco revogue de modo inequívoco aquelas orientações pastorais que permitem que os, assim chamados, divorciados “recasados” recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem que cumpram a obrigação de viver em continência.

18 de Janeiro de 2017, antiga festa da Cátedra de São Pedro em Roma.

+ Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana
+ Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda
+ Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana


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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Roma Æterna, às portas do Kremlin

'Lamentação sobre Cristo morto' - Giovanni Bellini (séc. XV)
Nos tempos do império romano, falava-se da Roma Eterna, mas foi com o cristianismo que Roma conseguiu verdadeiramente sobreviver à caducidade dos séculos. Sobreviveu e tornou-se presente, com esta vitalidade nova, de uma ponta à outra do orbe terrestre.

Inclusivamente, alguns quiseram que, como centro da Igreja, Roma se libertasse da referência geográfica e começasse a vaguear pelo mundo. A dada altura, Constantinopla proclamou-se a Segunda Roma e, séculos depois, Moscovo declarou-se a Terceira Roma. O urbanismo de Moscovo e a arquitectura do Kremlin correspondiam à miragem dessa Terceira Roma, também ela com aspirações a ser Eterna. Muitas capitais que acalentaram sonhos de grandeza num mundo globalizado, como Lisboa, Moscovo, etc., descobriram que tinham sete colinas. Exactamente sete colinas, como a Primeira Roma nas margens do rio Tibre.

Agora, Moscovo alberga realmente uma extraordinária «Roma Æterna» – assim se chama, com o título em latim, a exposição de 42 peças do Museu Vaticano patentes na Galeria Tretyakov. As filas de visitantes dão a volta aos quarteirões para admirar obras-primas de Raffaello, Caravaggio, Bellini, Guercino, Perugino, Poussin, Reni, Forli... Além de que o Vaticano disponibilizou um elenco notável de obras-primas, que não costumam sair, sobretudo em tão grande número, a exposição celebra a ligação espiritual da Rússia à Igreja católica. O curador russo, Arkady Ippolitov, associa a arte à fé: «o conceito dos Museus Vaticanos expressa o que Roma é». A Roma Eterna «não é apenas uma cidade, não é uma capital, mas o núcleo da história europeia e a quintessência, o que há de melhor, no espírito europeu».

A sala principal da exposição reproduz a planta da praça de S. Pedro. A primeira peça é a «Bênção de Cristo», do século XII. Outras peças importantes são as «Lamentações de Cristo Morto», de Bellini e de Crivelli: aconselho uma visita aos comentários da Maria Zarco (http://adeus-ate-ao-meu-regresso.blogspot.pt/2016/12/vai-um-gin-do-peters_27.html). O último quadro da exposição é «As observações astronómicas», de Creti, pintado para convencer o Papa Clemente XI a financiar a construção de um observatório astronómico em Bolonha (a manobra promocional surtiu efeito!).

A iniciativa da exposição «Roma Æterna» partiu do encontro do Papa Francisco com Vladimir Putin, em 2013, e completar-se-á quando, no final de 2017, uma colecção de obras da Galeria Tretyakov visitar o Vaticano, «como testemunho de amizade entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica».

Dentro de Itália, além dos bombeiros vaticanos que acorreram a socorrer as vítimas dos recentes terramotos, a Directora do Museu Vaticano, Barbara Jatta, anunciou que uma vintena dos 65 restauradores do Museu se voluntariou para se deslocar às cidades afectadas, para ajudar a recuperar o património artístico no local. Ao mesmo tempo, o Governo italiano enviou para as oficinas de restauro do Vaticano as peças de maior valor.

Colaborando em todas as direcções, o Museu Vaticano quer fazer destas palavras do Papa Francisco, uma espécie de lema: «a beleza une-nos». Um dos projectos internacionais anunciados pelo Museu Vaticano é trazer uma exposição a Lisboa por ocasião da visita do Papa Francisco a Fátima, em Maio. Já marquei na agenda.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores,  15-I-2017


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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Ser católico nos dias que correm




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Aos que dizem que o Terço é uma oração antiquada e monótona

Aos que dizem que o Terço é uma oração antiquada e monótona, devido à repetição das orações que o compõem, eu pergunto-lhes se há alguma coisa que viva sem ser pela repetição continuada dos mesmos actos.

Deus criou tudo o que existe de modo a conservar-se pela repetição continuada e ininterrupta dos mesmos actos. Assim, para conservarmos a vida natural, inspiramos e expiramos sempre do mesmo modo; o coração bate continuamente seguindo sempre o mesmo ritmo. Os astros, como o Sol, a lua, os planetas, a Terra, seguem sempre a mesma rota que Deus lhes marcou. O dia sucede à noite, ano após anos, sempre do mesmo modo. A luz do Sol alumia-nos e aquece-nos na Primavera, vestem-se depois de flores, dão frutos e voltam a perder as folhas no Outono ou Inverno.

E, assim, tudo o mais segue a lei que Deus lhe marcou, e ainda ninguém lhe ocorreu dizer que era monótono, por isso prescinde-se; é que precisamos disso para viver! Pois bem, na vida espiritual temos a mesma necessidade de repetir continuamente as mesmas orações, os mesmos actos de fé, de esperança e de caridade, para termos vida, visto que a nossa vida é uma participação continuada da vida de Deus.

Quando os discípulos pediram a Jesus Cristo que os ensinasse a orar, Ele ensinou-lhes, como vimos atrás, a bela fórmula do "Pai-Nosso", dizendo: "Quando orardes dizei: "Pai..." (Lc 11,4). O Senhor mandou-nos rezar assim, sem nos dizer que, passado um certo número de anos, buscássemos nova fórmula de oração, porque esta teria passado a ser antiga e monótona.

Quando os namorados se encontram, passam horas seguidas a repetirem a mesma coisa: "amo-te!". O que falta aos que acham a oração do Terço monótona é o Amor; e tudo o que não é feito por amor não tem valor. Por isso, nos diz o Catecismo que os dez Mandamentos da Lei de Deus se encerram num só, que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Os que rezam diariamente o seu Terço são como os filhos que todos os dias dispõem de alguns momentos para ir até junto de seu pai, para lhe fazer companhia, manifestar-lhe o seu agradecimento, prestar-lhe os seus serviços, receber os seus conselhos e a sua bênção. É o intercâmbio e a troca do amor, do pai para com o filho e deste para com o pai, é a dádiva mútua.

Irmã Lúcia in Apelos da Mensagem de Fátima


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domingo, 15 de janeiro de 2017

Afinal o que é a Missa?



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Uma carta do século II já explicava que os cristãos são iguais aos outros, mas diferentes

Os cristãos não são diferentes dos outros homens nem pelo território, nem pela língua, nem pelo modo de viver. Eles não moram numa cidade exclusivamente sua, não usam uma língua própria, nem levam um género de vida especial. A sua doutrina não é conquista do pensamento e do esforço dos homens estudiosos, nem professam, como fazem alguns, um sistema filosófico humano.

Moram em cidades gregas ou bárbaras, como coube em sorte a cada um, e, adaptando-se aos costumes de vestir, de comer e em todo o resto de vida, dão exemplo de uma forma de vida social maravilhosa que, segundo todos confessam, é inacreditável. Habitam na respectiva pátria, mas como estrangeiros; participam em todas as honras como cidadãos e suportam tudo como estrangeiros. 

Todas as terras estrangeiras são uma pátria para eles e todas as pátrias são terras estrangeiras. Vivem da carne, mas não são segundo a carne. Moram na terra, mas são cidadãos do céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas através do seu teor de vida superam as leis.

Amam a todos e por todos são perseguidos. Não os conhecem e condenam-nos; dão-lhes a morte e eles recebem a vida. São mendigos e enriquecem a muitos; encontram-se privados de tudo e tudo têm em abundância.

São desprezados e no desprezo encontram glória; difamam-nos e é reconhecida a sua inocência. São injuriados e abençoam; são tratados de modo insolente e eles tratam com reverência. Fazem o bem e são punidos como malfeitores; e, embora punidos, alegram-se quase como se lhes dessem a vida.

Mas os que odeiam não sabem dizer o motivo do seu ódio. Numa palavra, os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. 

in Carta a Diogneto 5, 1-17;6,1


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sábado, 14 de janeiro de 2017

Oração para pedir a Beatificação da Irmã Lúcia

Oração para pedir a Beatificação da Serva de Deus Irmã Maria Lúcia do Coração Imaculado

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e Vos agradeço as aparições da Santíssima Virgem em Fátima para manifestar ao mundo as riquezas do seu Coração Imaculado. Pelos méritos infinitos do Santíssimo Coração de Jesus e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos que, se for para vossa maior glória e bem das nossas almas, Vos digneis glorificar, diante da Santa Igreja, a Irmã Lúcia, pastorinha de Fátima, concedendo-nos, por sua intercessão, a graça que vos pedimos (fazer o pedido). Ámen.

Pai-nosso. Avé Maria. Glória.

Com autorização eclesiástica




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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"O Ocidente tornou-se o túmulo de Deus", denuncia o Cardeal Sarah

"A verdadeira crise que enfrenta o nosso mundo agora não é essencialmente económica ou política, mas uma crise de Deus e ao mesmo tempo uma crise antropológica", escreve o Cardeal Robert Sarah prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, numa reflexão publicada na última edição da revista 'Vita e Pensiero', divulgada hoje. "Claro, hoje falamos apenas da crise económica: no desenvolvimento do poder da Europa - depois das suas orientações religiosas e éticas originárias - o interesse económico tornou-se determinante e cada vez mais exclusivo."

"A cultura ocidental - escreve Sarah - foi gradualmente sendo organizada como se Deus não existisse: muitos hoje decidiram prescindir de Deus. Como diz Nietzsche, para muitos no Ocidente, Deus está morto E fomos nós que O matámos, nós somos os seus assassinos e as nossas igrejas são as criptas e os túmulos de Deus. 

Um grande número de fiéis já não as frequentam, já não vão mais à igreja, para evitar sentir a putrefacção de Deus; mas ao fazê-lo, o homem já não sabe quem é nem para onde deve ir: há uma espécie de retorno ao paganismo e idolatria; a ciência, a tecnologia, o dinheiro, o poder, o sucesso, a liberdade até o amargo fim, os prazeres sem limites são, hoje, os nossos deuses."

É, então, necessário alterar a perspectiva, explica o cardeal guineense: "Devemos recordar que é em Deus que vivemos, nos movemos e existimos (At 17, 28). É n'Ele que tudo subsiste. Ele é o Princípio, n'Ele habita toda a Plenitude, diz-nos São Paulo; fora d'Ele nada existe: tudo encontra o seu próprio ser em Deus e a sua própria verdade, ou Deus ou nada. 

Certo, existem problemas enormes, situações muitas vezes dolorosas, uma existência humana difícil e angustiante; ainda assim, devemos reconhecer que é Deus que dá sentido a tudo. As nossas preocupações, os nossos problemas, os nossos sofrimentos existem e preocupamo-nos, mas nós sabemos que se resolvido n'Ele, sabemos que é Deus ou nada, e percebemo-lo como uma evidência que se nos impõe não a partir do exterior, mas do interior da alma, porque o amor não se impõe pela força, mas seduzindo o coração com uma luz interior."

Matteo Matzuzzi in Il Foglio


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