terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Os namorados devem viver juntos? Não é boa ideia, dizem os especialistas

Devem ir morar com o vosso namorado? Parece uma boa ideia porque querem conhecer mesmo bem a pessoa antes de lhe entregar a vossa vida. A maior parte dos namorados que vivem juntos e pensam casar vêem este esquema como uma boa maneira de experimentar, uma forma de terem a certeza de que são compatíveis antes de darem o nó. Afinal de contas, quem é que quer passar por um divórcio?

Pondo de parte todos os factores espirituais relacionados com o sexo antes do casamento, devíamos dar uma olhadela ao que os investigadores descobriram sobre viver juntos antes do casamento. Dois investigadores resumiram os seus resultados de muitos estudos ao dizer que "a expectativa de uma relação positiva entre a união de facto e a estabilidade do matrimónio foi destruída nos últimos anos por estudos feitos em vários países do Ocidente."[1] O que os estudos descobriram é isto: se não se querem divorciar, não vivam juntos até se casarem.

Porque é que é assim? Pensem nos seguintes factos sobre viver juntos antes do casamento: a maior parte dos casais que vivem juntos acabam por nunca se casar, mas os que realmente se casam têm uma taxa de divórcio de quase 80% mais alta do que os que esperaram até ao casamento para viverem juntos.[2] 

Os casais que viveram juntos antes do casamento também têm mais conflitos no matrimónio e pior comunicação, e vão mais frequentemente aos conselheiros de matrimónios.[3] 

As mulheres que viveram com outra pessoa antes do casamento têm uma probabilidade três vezes maior para enganar os seus maridos dentro do casamento.[4] O Departamento de Justiça dos EUA descobriu que as mulheres que vivem com o namorado antes do casamento têm sessenta e duas vezes mais probabilidade de serem agredidas pelo namorado-lá-de-casa do que por um marido.[5] 

Além disso têm três vezes mais probabilidade de ficarem deprimidas do que as mulheres casadas,[6] e os casais têm menor satisfação sexual do que os que esperaram por casar.[7]

Do ponto de vista da duração do matrimónio, paz no matrimónio, fidelidade no matrimónio, segurança física, bem-estar emocional e satisfação sexual, a união de facto não é bem a receita para a felicidade. Até o USA Today diz: "Poderá isto ser verdadeiro amor? Façam o teste no namoro, não a viver juntos antes do casamento."[8] Mesmo que não pensem que o vosso namorado vai ser um abusador ou que vão ficar deprimidas, as taxas de divórcio falam por si mesmas.

Como todos nós, vocês sonham com um amor que dura. Se querem mesmo fazer essa relação durar, salvem o vosso casamento antes dele começar e não vão viver com o vosso namorado antes do casamento.

in ChastityProject.com

[1]. William G. Axinn and Arland Thornton, “The Relation Between Cohabitation and Divorce: Selectivity or Casual Influence?” Demography 29 (1992), 357–374.
[2]. Cf. Bennett, et al., “Commitment and the Modern Union: Assessing the Link Between Premarital Cohabitation and Subsequent Marital Stability,” American Sociological Review 53:1 (February 1988), 127–138.
[3]. Elizabeth Thompson and Ugo Colella, “Cohabitation and Marital Stability: Quality or Commitment?” Journal of Marriage and the Family 54 (1992), 263; John D. Cunningham and John K. Antill, “Cohabitation and Marriage: Retrospective and Predictive Consequences,” Journal of Social and Personal Relationships 11 (1994), 90.
[4]. Koray Tanfer and Renata Forste, “Sexual Exclusivity Among Dating, Cohabiting, and Married Women,” Journal of Marriage and Family (February 1996), 33–47.
[5]. Chuck Colson, “Trial Marriages on Trial: Why They Don’t Work,” Breakpoint, March 20, 1995.
[6]. Lee Robins and Darrell Regier, Psychiatric Disorders in America: The Epidemiologic Catchment Area Study (New York: Free Press, 1991), 64.
[7]. Marianne K. Hering, “Believe Well, Live Well,” Focus on the Family, September 1994, 4.
[8]. William Mattox, Jr., “Could This be True Love? Test It with Courtship, Not Cohabitation,” USA Today, February 10, 2000, 15A (usatoday.com).


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13 imagens da coroação de Nossa Senhora de Fátima em Londres

Nossa Senhora de Fátima foi coroada pelo Cardeal Nichols na Catedral de Westminster, em Londres. O arcebispo de Westminster também re-consagrou a Inglaterra e o País de Gales ao Coração Imaculado de Maria. Esta cerimónia teve também como finalidade comemorar o centenário das aparições de Fátima.















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Nossa Senhora de Fátima coroada em Londres

No passado Domingo, 19 de Fevereiro, Nossa Senhora de Fátima foi coroada pelo Cardeal Nichols em Londres. Neste vídeo os fiéis cantam o 'Avé de Fátima', na despedida da Santíssima Virgem.



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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Centenário de Fátima: A enorme Fé do beato Francisco Marto

No 13 de Junho de 1917 Nossa Senhora disse que viria buscar em breve para o Céu o Francisco e a Jacinta. Antes, a 13 de Maio, dissera que o Francisco, antes de ir para o Céu, teria de rezar muitos terços.

Sabendo que seria chamado em pouco tempo ao Paraíso, o Francisco mostrou pouco interesse em assistir às aulas. Várias vezes, chegando perto da escola, dizia à Lúcia e à Jacinta: "Vão vocês. Eu vou à igreja a fazer companhia ao Jesus escondido" (uma expressão que se refere ao Santíssimo Sacramento). Muitas testemunhas contemporâneas afirmam terem recebido favores depois de terem pedido a Francisco que rezasse por elas. 

Em Outubro de 1918, Francisco adoeceu gravemente. Aos membros de sua família que lhe asseguravam que ele iria curar-se da sua doença, ele respondia firmemente: "É escusado. Nossa Senhora quer que eu esteja com Ela no Céu!" No decurso da sua doença, continuou a oferecer sacrifícios constantes para consolar Jesus ofendido por tantos pecados. "Já falta pouco tempo para ir eu para o Céu", disse à Lúcia um dia. "Lá encima, vou consolar muito Nosso Senhor e Nossa Senhora; a Jacinta vai rezar muito pelos pecadores, pelo Santo Padre e por ti. Vais ficar aqui porque Nossa Senhora assim deseja. Escuta, faz tudo o que Ela te disser."

À medida que a sua doença piorou e quebrou o que era uma saúde robusta, Francisco já não tinha as forças para recitar o Rosário. "Mamã, já não consigo dizer o Rosário", disse em voz alta um dia, "parece que a minha cabeça está nas nuvens…" Ainda quando a força do seu corpo se perdia, a sua mente permanecia atenta à eternidade. Chamando o seu pai, pediu para receber Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento (ainda não tinha recebido a sua Primeira Comunhão nessa altura). 


Preparando-se para a confissão, pediu a Lúcia e a Jacinta que lhe lembrassem os pecados que ele tinha cometido. Ouvindo algumas travessuras que tinha cometido, o Francisco começou a chorar, dizendo, "Já confessei estes pecados, mas vou confessá-los outra vez. Talvez seja por causa destes que Jesus está tão triste. Peçam vocês também a Jesus que perdoe todos os meus pecados." Seguiu-se a sua primeira (e também a última) Sagrada Comunhão no quarto pequeno em que ele estava morrendo. Já sem forças para rezar, pediu a Lúcia e a Jacinta que recitassem o Rosário em voz alta para que pudesse seguir com o seu coração.
Foi vitimado pela pneumónica, que durante 5 meses não o largou. A sua morte aconteceu a 4 de Abril de 1919. Eis o relato da Irmã Lúcia:

"Com a chegada da noite, o seu estado de saúde agravou-se. No entanto, quando a mãe lhe perguntou como se sentia, respondia que não estava pior e que não lhe doía nada. Talvez não quisesse fazer sofrer a mãe, ou Nossa Senhora quisesse privilegiá-lo com uma agonia sem dores. No seu último dia passado na Terra, Sexta-Feira, a irmã e a prima passaram todo o tempo no quarto dele. Só os três sabiam que se aproximava a hora da partida para o Céu. Como já não tinha forças para rezar orações vocais, pediu-lhes que rezassem o Terço por ele.”

Pensava no Paraíso, como todos nós, de acordo com as experiências desta vida. Dizia que certamente, iria ter saudades da Lúcia no Céu e desejava que Nossa Senhora a levasse também. Quanto à irmã, já sabia que pouco tempo estaria sem ela no Céu. Quando se fez noite a Lúcia despediu-se dele. Com voz embargada pela comoção, disse-lhe:

- Queres mais alguma coisa? – perguntei-lhe com as lágrimas a correr-me também já pelas faces.
Foi a custo que respondeu:
- Não – me respondeu com voz sumida.
Como a cena se estava a tornar demasiado comovedora, minha tia mandou-me sair do quarto.
Então adeus, Francisco! Até ao Céu!
- Adeus, até ao Céu”.

Francisco estava apenas à esperava desta despedida. Nessa mesma noite, pelas dez horas, faleceu. Tinha completado dez anos, nove meses e quatro dias de idade, pois nascera a 11 de Junho de 1908, às dez horas da noite.

As suas últimas palavras foram para a madrinha, a quem pediu, alguns instantes antes de soltar o derradeiro suspiro, quando a viu assomar à porta, que o abençoasse e perdoasse os desgostos que lhe tivesse dado.

A suavidade da morte do Francisco impressionou as pessoas presentes em especial os seus pais que afirmam que, "sorriu para os mesmos", na hora da partida.
Conta-se que no último momento disse que via “uma luz muito bonita”.


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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Morreu a responsável pela legalização do aborto nos Estados Unidos, que depois se arrependeu

Norma McCorvey foi 'Jane Roe'. Em 1970, persuadida por uma jovem advogada, alegou em tribunal (Estado do Texas) que a sua gravidez resultara de um estupro e exigia o direito ao aborto. Depois de sucessivos recursos o processo chegou ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos. Este decidiu, há 44 anos, que a lei do Texas que impedia que Jane Roe acabasse com a vida da sua filha por nascer era inconstitucional . Mas em 1973, quando foi emitida a decisão, aquela criança já havia nascido e adoptada por uma família do Texas, sem ter consciência que tinha corrido sério risco de vida.

Existe uma mulher de 47 anos, nascida no Texas, que deveria estar morta; que jamais deveria ter nascido. Felizmente o processo que tinha como intento a sua morte demorou 3 anos e, assim, ela pôde nascer. E hoje, algures, talvez ainda no Texas, vive essa mulher de 47 anos. Talvez com um marido e uma família que não podem imaginar a vida sem ela. Talvez com belos filhos que muito ama e que muito a amam. Talvez com amigos para os quais a sua amizade foi fundamental nas suas vidas.

A Mãe dessa mulher, Norma McCorvey, arrependeu-se da sua luta a favor do aborto. Admitiu que nunca tinha sido estuprada e que tudo tinha sido combinado pela sua advogada de modo a ganharem o caso. Em 1998 converteu-se ao catolicismo. Passou os últimos 20 anos da sua vida a lutar contra o aborto, que tinha ajudado a legalizar. Morreu ontem, aos 69 anos. Que descanse em paz.

João Silveira


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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Unidade na diversidade




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A doce morte de Santa Bernadette, vidente de Lourdes

Uma superiora visitou-a no leito das dores: 

- Que faz aqui, minha preguiçosa? disse sorrindo, amável. 
- Minha Madre, eu estou no meu ofício.
- E que ofício é o seu, minha filha?
- O meu ofício é sofrer e estar doente.

Mandaram-lhe um crucifixo para a cabeceira da cama.

- Sou mais feliz, - disse Bernadette - com o meu Cristo no leito de dores do que uma rainha no seu trono.

Às crises de asma, dolorosas e terríveis, juntaram-se os vómitos de sangue, a opressão do peito e dores intoleráveis causadas por um abcesso que se formou no joelho direito. Mais um tumor e uma aquilose. Os sofrimentos eram horríveis, e a vítima tinha já a face cadavérica. Não dormia um só instante. Às vezes, a natureza deixava escapar um grito de dor, mas a Irmã Maria Bernarda (Bernadette) humilhava-se e sorria heroicamente, repetindo:

- Perdão, meu Jesus! Meu Deus, eu vos ofereço o meu sofrimento! Meu Deus, eu vos amo!

O capelão do mosteiro disse-lhe que pensasse no Céu e que iria contemplar a beleza da Imaculada.

- Oh, respondeu ela, como este pensamento me faz bem!

Às vezes, murmurava com uma nostalgia do Céu:

- Oh Céu! Dizem que muitas almas não foram directamente para o Céu, porque não o desejaram bastante aqui no mundo. Isto não acontece comigo! Ah! Vamos para o Céu, trabalhemos, soframos pelo Céu, o resto nada vale.

A moléstia agravava-se cada vez mais. Ela sempre resignada. Disse, então:

- Ó cruz, vós sois o altar no qual eu me quero sacrificar com Jesus agonizante. O coração de Jesus é o meu tesouro. No coração de Jesus viverei e morrerei em paz no meio dos sofrimentos.

Despojou-se de tudo que possuía, isto é, algumas imagens e santinhos. Só conservou um crucifixo.

- Só tenho necessidade dele. Só ele me basta.

Depois da festa de São José, disse:

- Eu pedi a São José uma só graça: a graça de uma boa morte.

No dia 28 de Março, a superiora perguntou-lhe se desejava receber a extrema-unção. Aceitou-a com alegria! Às duas horas da tarde, o capelão administrava-lhe o sacramento dos enfermos. Recebeu-o com edificante fervor em presença de uma boa parte da comunidade.

- Minhas irmãs, peço-vos perdão por todos os aborrecimentos e trabalhos que vos dei, das minhas infidelidades na vida religiosa e do mau exemplo que dei às minhas companheiras, sobretudo pelo meu orgulho.

O olhar de Bernadette, durante toda a doença, conservou-se belo, vivo, impressionante. Era aquele olhar da visão de Massabielle.

O demónio tentava-a, Nosso Senhor permitia, a fim de purificar ainda mais aquela almazinha privilegiada. Ela ficava num estado de agonia dolorosa e horrível, com a face em expressão de espanto, e repetia:

- Vai-te, Satanás! Vai-te, Satanás!

O capelão disse-lhe:

- Ofereça a Jesus o sacrifício da vida, minha filha.
- Que sacrifício, meu padre? Não é sacrifício deixar esta pobre terra, onde se encontra tanta dificuldade para servir a Deus!

Perguntaram-lhe:

- Sofre muito, minha irmã?
- Sim, mas tudo é bom para o Céu, respondeu com doce resignação.
- Eu vou pedir à boa Mãe do Céu que lhe dê alguma consolação, minha Irmã Maria Bernarda.
- Não, não, - repetiu ela, - não peça consolações. Peça a Nossa Senhora força e paciência para mim. Só isto...

Quarta-Feira Santa, o capelão foi chamado às pressas para a Irmã Maria Bernarda. Ela estava na poltrona, sentada, sem poder respirar, num martírio cruel. Confessou-se pela última vez. 

- Minha filhinha - disse-lhe a Madre superiora - agora está na cruz, não é?

Bernadette abriu os braços em forma de cruz e murmurou:

- Meu Jesus! Meu Jesus! Oh! Como vos amo!

Para não perder o crucifixo, pediu que lho pregassem ao peito. Recitaram a oração dos agonizantes. Repetia todas as jaculatórias que lhe diziam ao ouvido.

Uma hora antes da morte, ficou tranquila, fitou um ponto do alto. Depois exclamou, feliz:

- Oh! Oh! Oh!

E alguns segundos depois:

-- Meu Deus, eu vos amo de todo o meu coração, de toda a minha alma, com todas as minhas forças.

Tomou o crucifixo, beijou-o, pediu perdão à comunidade e disse:

- Eu tenho sede!

Deram-lhe água. Apenas molhou os lábios.

Fez o sinal da cruz, aquele admirável sinal da cruz que só ela sabia fazer.

Murmurou alguns instantes depois:

- Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim, pobre pecadora... pobre pecadora...

E expirou suavemente.

Eram três horas e um quarto de tarde de Quinta-Feira Santa, 16 de Abril de 1879.

Mons. Ascânio Brandão in 'Santa Bernadete, a confidente de Lourdes', Ed. Vozes, 1956, 3ª. Edição


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O destino dos mornos, segundo Dante

Logo que entrei ouvi gritos terríveis, suspiros e prantos que ecoavam pela escuridão sem estrelas. Os lamentos eram tão intensos que não me contive e chorei. Gritos de mágoa, lutas, queixas iradas em diversas línguas formavam um tumulto que tinha o som de uma ventania. Eu, com a cabeça já tomada de horror, perguntei:

- Mestre, quem são essas pessoas que sofrem tanto?

- Este é o destino daquelas almas que não procuraram fazer o bem divino, mas também não procuraram fazer o mal. - respondeu o Mestre. - Misturam-se com aquele coro de anjos que não foram nem fiéis nem infiéis ao seu Deus. Tanto o Céu como o inferno os rejeitam.

- Mestre - continuei -, a que pena tão terrível estão esses coitados submetidos para que se lamentem tanto?

- Em poucas palavras: Estes espíritos não têm esperança de morte nem de salvação. O mundo não se lembrará deles, a misericórdia e a justiça ignoram-nos. Deixa-os. Olha, e passa.

E então olhei e vi que as almas formavam uma grande multidão, correndo atrás de uma bandeira que nunca parava. Estavam todas nuas, expostas a picadas de enxames de vespas que as feriam em todo o corpo. O sangue escorria, junto com as lágrimas até os pés, onde vermes doentes ainda os roíam.

Dante Alighieri in Divina Comédia, Canto III


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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Alguém reparou nestes pormenores do filme 'Silêncio'?

Apresento aqui alguns pequenos e grandes pormenores que me chamaram a atenção no último filme de Martin Scorsese: Silêncio. O filme baseia-se no romance ‘Chinmoku’, do autor japonês Shusaku Endō, por isso nem todos os méritos ou deméritos podem ser associados a Scorsese. Seja como for, para simplificar as coisas, vou escrever como se todas as ideias tivessem sido suas.

Tema

É um filme bastante ‘pesado’, durante o qual somos confrontados com um dilema moral que nos deixa exaustos. É bom pôr-se problemas morais. É bom pensar entre o que é certo e o que é errado porque todos os dias somos obrigados a tomar decisões e muitas vezes deparamo-nos com a indecisão entre fazer o bem, que normalmente custa mais, ou o mal, que normalmente é o caminho mais fácil…pelo menos assim parece.

Qualidade técnica


A qualidade técnica é excelente. Estamos (mal) habituados a que muitos dos filmes que retratam estes assuntos relacionados com o cristianismo sejam produções low-budget, com má imagem, mau som e até maus actores. Felizmente não é o caso.

Martírio


O filme começa com uma cena bastante dura sobre o martírio dos cristãos no Japão. Este relato é histórico e muito próximo do que realmente aconteceu durante a perseguição aos cristão. Um bom exemplo é o testemunho de São Paulo Miki e seus companheiros. Ver aqui e aqui.

Fé dos pequeninos

Os sacerdotes, enquanto representantes da Igreja, dispensadores dos sacramentos e responsáveis pela pregação foram os primeiros a ser perseguidos pelas autoridades japonesas. O povo deu por si a ter de esconder a sua fé e, além disso, sem sacerdotes que os ouvissem em confissão e celebrassem a Santa Missa. Quando aqueles dois jovens jesuítas chegam àquela população a alegria daquela gente é contagiante…e comovente. Passaram muito tempo apenas com o sacramento do baptismo, que em caso de necessidade pode ser administrado por um leigo, mas os outros sacramentos não.

É uma verdadeira bofetada de luva branca a cena em que os dois sacerdotes começam avidamente a comer e, passados uns segundos, ouvem-se os aldeões, de mãos postas, a pedir a bênção dos alimentos. Ainda para mais em latim, exactamente como se fazia na Europa de onde eles tinham acabado de chegar. Provenientes da Europa cristã, e ainda para mais sendo sacerdotes, deveriam ser estes os primeiros a rezar, ensinando o povo. Mas a resistência à perseguição e a confiança em Deus tinha tornado a fé daquelas pessoas o aspecto mais importante da sua existência, de tal modo que viviam na Terra mas com os olhos postos no Paraíso. 

Um bom exemplo disto é a morte do último dos 3 fiéis crucificados, que usa as poucas forças que lhe restam para cantar o 'Tantum ergo', um hino eucarístico em latim, escrito por S. Tomás de Aquino, que é usado durante a Adoração ao Santíssimo Sacramento desde o séc. XIII. 

Santa Missa

Um dos momentos mais fortes do filme é o princípio da Missa. Podemos apenas imaginar o quanto aquelas pessoas tinham ansiado pela Missa; depois de todos aqueles anos sem o Santo Sacrifício do Altar, e sem poderem comungar o Corpo de Cristo. Desta vez a lição é para todos nós que temos a Missa a qualquer hora que nos seja mais cómoda e não pomos lá os pés. Outras vezes pomos os pés mas não o coração.

A Missa foi celebrada no Rito Antigo, correspondente ao rito romano desde os primeiros séculos da era cristã até ao Missa do Papa Paulo VI, em 1970. Neste momento existem esses dois modos de celebrar, sendo que o Rito Antigo é por vezes chamado de Forma Extraordinária ou (erradamente) Missa Tridentina. Os missionários, muitos deles portugueses, levaram para o Mundo Novo o seu próprio rito, que era o romano. É interessante que hoje em dia, nas poucas igrejas em Portugal onde existe o Rito Antigo, a Missa seja igualzinha, sem tirar nem pôr, àquela Missa que se passou há 400 anos, do outro lado do mundo. 

No início da Missa o povo está todo de joelhos. Um padre celebra e outro serve (antes de 1970 não existia a concelebração). A Missa, que é em latim (antes de 1970 não existia a Missa em vernáculo), começa com o salmo 42, no qual o sacerdote pede ajuda a Deus pelo enorme acto que está para cumprir. O ajudante à Missa, que neste caso era o outro sacerdote, responde também com o mesmo salmo. Essa intercalação está muito bem conseguida no filme. Scorsese fez bem o trabalho de casa, neste caso.

Confissão

Quando chegam até àquelas pessoas sedentas de Cristo, os dois padres passam noites inteiras a confessar. A emoção dos penitentes é uma boa imagem da necessidade e da beleza deste sacramento, ao qual chegamos culpados e saímos inocentes, graças à morte de Jesus na Cruz. Mas o maior protagonista da confissão chama-se Kichijiro e mostra-se perito em apostatar. 

Por um lado a personagem está bem conseguida porque a maior parte de nós também é assim: confessa-se sempre dos mesmos pecados. E isto não quer dizer que não estejamos arrependidos quando nos confessamos, caso não estivéssemos a confissão seria inválida, mas sim que somos fracos e se calhar pomo-nos a jeito para cair outra vez nos mesmos erros. E este é o ponto, pelo qual aqui a confissão é apresentada como uma caricatura. Kichijiro poderia muito bem estar arrependido do pecado gravíssimo que fazia (recorrentemente), mas não estava disposto a fazer propósito de emenda, que inclui sempre evitar ocasiões de pecado. Ele continuava a viver num ambiente em que sabia que ia ser confrontado frequentemente com a escolha entre a vida e o negar a fé. Se realmente ele quisesse deixar de apostatar, e conhecendo a sua fraqueza, teria de sair dali. O seu confessor deveria ter-lhe dito isto, e talvez até imposto como condição para a absolvição daquele pecado muito grave.

Judas e Jesus: Horto das Oliveiras

Naquela época de perseguição, a denúncia de um sacerdote rendia 300 moedas de prata. Isto remete imediatamente para a traição de Judas, que denunciou Jesus por 30 moedas de prata. E esse paralelismo torna-se real. O Padre Rodrigues faz o papel de Jesus, como ele próprio se via, e Kichijiro (quem mais?) o papel de Judas. A cena passa-se à beira de um rio, que o sacerdote usa para matar a sede, enquanto tem mais uma das suas alucinações, vendo o rosto de Jesus Cristo na água em vez do seu. Tal como aconteceu no Horto das Oliveiras, os soldados aparecem de surpresa e rodeiam o Padre. O Judas da ocasião, Kichijiro, recebe ali o preço pela sua traição: as 300 moedas de prata; que caem no chão à semelhança de como Mel Gibson, na ‘Paixão de Cristo’, retratou o momento em que o traidor recebeu o seu prémio. 

Exército de dois

Voltando atrás para contextualizar. Os dois jovens jesuítas tinham pedido ao seu superior que os deixasse ir até ao Japão de modo a poderem resgatar o Padre Ferreira, que alguns diziam ter renunciado ao cristianismo. O jesuíta mais velho percebe que a missão seria bastante perigosa e, ao princípio, está reticente mas, perante a insistência dos jovens, envia-os…como um exército de dois. Os dois últimos padres a irem para o Japão. Uma última tentativa de manter aquele território longínquo ainda como terreno de missão.

E foram realmente um exército de dois. Enquanto andavam juntos ambos ajudavam-se mutuamente. Um compensava as falhas e imprecisões do outro. Ajudavam-se nos momentos de menos confiança em Deus e, assim, iam levando avante a sua missão. Mas tudo mudou quando se separaram.

Padre Garupe

Aparentemente era o elo mais fraco. Quando já estavam no Japão, a ajudar as comunidades cristãs, mostrou-se bastante ansioso pelo tempo que demoravam a encontrar o Padre Ferreira. A ponto de pedir desculpa ao seu companheiro de missão, Padre Rodrigues, por isso. Este diz-lhe que ele é um mau jesuíta, pela falta de paciência que mostra. Apesar dessa sua falta de virtude, o Padre Garupe teve a humildade de pedir desculpa, algo que o Padre Rodrigues nunca faz. Quando se separam, o Padre Garupe mostra de que massa é feito e acaba por morrer mártir, enquanto tenta salvar a vida de outros cristãos. Mais uma vez, ao contrário do Padre Rodrigues. 

Padre Rodrigues

No tal exército de dois assume o papel de líder. Parece o modelo de jesuíta perfeito, a comparar com o impaciente Padre Garupe. No entanto, quando os dois se separaram vai mudar completamente de atitude. Não aparece mais a celebrar a Missa. Não ouve confissões, tirando as do inevitável Kichijiro. Praticamente não reza. Revela sempre um semblante pesado. Começa a ter alucinações.

Este modus vivendi vai acompanhá-lo também depois de ser feito prisioneiro. Embora se mostre bastante tranquilo e dono de si à frente dos seus captores, quando está na sua cela passa por longas agonias e períodos de desespero. 

O Padre Rodrigues é inteligente e remete ao silêncio os seus adversários em todas as discussões. Ele não perde uma. E nem se pode dizer que os seus argumentos fossem arrogantes, são bastante lógicos, simples e muito verdadeiros. Apesar disso, no modo como encara a sua situação como se fosse o próprio Cristo, e é essa ousadia que lhe vai sair cara. Num comentário depois duma conversa com o Padre, o intérprete desabafa, com toda a tranquilidade, que os arrogantes são os primeiros a apostatar. 

De Jesus a Pedro: o galo cantou

Chegamos à parte mais dura da narrativa. Finalmente o Padre Rodrigues encontra o desaparecido Padre Ferreira, seu antigo professor. Este demonstra pouco à vontade na conversa, quase como se estivesse ali obrigado ou como se lhe pesasse a consciência pela negação constante da fé que tinha sido a sua vida nos últimos anos. Perante as acusações do jovem jesuíta, Ferreira defende-se fazendo uma apologia do Japão como uma terra onde o cristianismo jamais poderia vingar; e que quando se falava aos cristãos japoneses do Filho de Deus eles apenas imaginavam o sol, porque a sua cultura não conseguia ir além do natural, o sobrenatural era impensável. 

O Padre Ferreira faz nesse momento o papel do demónio quando tenta Jesus, tanto no deserto como durante a Paixão. É a tentação que apresenta a decisão mais fácil, com todas as suas vantagens, em contraste com a decisão mais difícil, com todas as suas desvantagens. Os argumentos que apresenta são obviamente falsos. Eram desmentidos pela fé enorme que o Padre Rodrigues tinha visto naquele povo. Mas só o facto de aquela conversa existir é suficiente para lhe deixar uma dúvida, ainda que pequena, sobre se o que lhe é dito não será, afinal, a verdade. Este é o perigo de dialogar com a tentação, especialmente quando vem de um inimigo mais sagaz do que nós. Numa situação destas não se deve alimentar a tentação ou tentar ser razoável com ela, deve-se cortar prontamente com aqueles pensamentos ou com aquela conversa.

O intérprete diz ao Padre Rodrigues: “O Inquisidor diz que hoje à noite vais apostatar.” Parece estranho que o prisioneiro tenha ouvido esta profecia e não se tenha preparado convenientemente para o que estava para vir. E de facto apostatou. E mal o fez o galo cantou…3 vezes. É inevitável que não sejamos transportados imediatamente para a traição de Pedro, que negou Jesus 3 vezes depois da prisão do seu Mestre. Também Pedro se tinha julgado forte, incapaz de negar Jesus, tinha-o garantido a Ele mesmo à frente de todos os outros apóstolos. Finalmente cai a a máscara: o Padre Rodrigues não era Jesus, era Pedro. Tinha-se em boa conta mas na hora da verdade foi cobarde.

Apostasia

Este foi o tema mais discutido em relação a esta história. Será que podemos dizer que tudo se resume a defender a apostasia? Creio que não, seria uma análise demasiado simplista. Será que se pode dizer que não existe uma relativização da apostasia? Também creio que não, a apostasia é apresentada como o mal menor que deve ser escolhido quando se trata de evitar o sofrimento, tanto próprio como alheio.

Esta parte da história mostra falta de visão sobrenatural. É verdade que os sofrimentos infligidos pelos agressores são horrorosos. Mas também é verdade que para quem crê em Deus o sofrimento não tem a última palavra. O símbolo máximo do cristianismo é Deus feito homem morto numa cruz, para nos salvar. O sofrimento aceite voluntariamente e unido à cruz de Jesus pode ser redentor, e é um instrumento (nunca um fim) através do qual se pode amar mais a Deus e os outros. Faltou ali a perspectiva da vida eterna, da felicidade infinita que não acaba, que em teoria todos queremos mas na prática nem sempre. Os cristãos do início do filme falavam do Paraíso, como meta da sua vida. Mas na apostasia do Padre Rodrigues essa ideia já não se encontra presente, tudo o que conta é acabar com aquele sofrimento aqui e agora. 

A palavra Martírio vem do grego, e quer dizer ‘testemunho’. Os mártires sempre foram um testemunho para os outros cristãos, um incentivo para serem santos. Daí que as suas relíquias tenham sido veneradas desde o início do cristianismo. Isso vê-se no filme, quando os corpos daqueles cristãos mártires são queimados e as cinzas deitadas ao mar, de modo a impedir que sejam venerados. Os padres que desistiram da sua fé deram um contra-testemunho. A apostasia naquele caso é um anti-martírio. Se um sacerdote, face visível da Igreja, não está disposto a morrer por Cristo porque é que eu estaria? Por isso mesmo os japoneses querem que os padres neguem a fé publicamente, para servirem de exemplo ao povo e cortarem o cristianismo pela raiz.

O Padre Ferreira e o Padre Rodrigues não se limitaram a apostatar num momento de fraqueza, o que poderia ser mais ou menos compreensível, embora continuasse a ser errado. Eles foram apóstatas o resto da vida, com recorrentes actos de apostasia (exigidos pelas autoridades). E enquanto isso serviam de censores aos artefactos encontrados nas casas das pessoas e que se desconfiava poderem ter alguma simbologia cristã oculta. Aqueles dois homens negaram a fé publicamente, viveram até à morte essa negação e colaboraram activamente com um governo iníquo, que perseguia e executava cristãos. É verdade que até ao último suspiro de vida a pessoa se pode arrepender mas não é possível ser um apóstata publicamente e um cristão devoto privadamente. A vida cristã tem de ser una, não é compatível com dualismos esquizofrénicos.    

Japoneses: os maus

Durante o filme dificilmente pensamos nas autoridades japonesas, e respectivos soldados, como maus da fita. Estamos demasiado ocupados a tentar perceber se é lícito apostatar ou não, e nem reparamos nas atrocidades indescritíveis que essa gente infligiu a pessoas inocentes, simplesmente por acreditarem num Deus que morreu numa cruz para os salvar. O mais irónico é que aquela perseguição implacável ao cristianismo partiu de quem promovia abertamente o budismo. Todos eles eram budistas "praticantes". 

No mundo Ocidental, desejoso de esoterismo, o budismo é apresentado como um "caminho espiritual” atractivo porque se pode fazer muitas coisas que no catolicismo não são permitidas (especialmente no que concerne ao 6º e 9º mandamentos), e também porque implica a prática da meditação, que traz muita “paz”. Toda a violência que se vê neste filme ajuda a perceber que o budismo não é assim tão pacifista como muitos tentam fazer passar. Mostra também que, ao longo da História, os cristãos foram, e ainda são, brutalmente perseguidos por causa da sua Fé.

Ad maiorem Dei gloriam

João Silveira


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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O Estado pode saber qual a religião verdadeira? Sim, diz Leão XIII

Devem, pois, os chefes de Estado ter por santo o nome de Deus e colocar no número dos seus principais deveres favorecer a religião, protegê-la com a sua benevolência, cobri-la com a autoridade tutelar das leis, e nada estabelecerem ou decidirem que seja contrário à integridade dela. E isso devem-no eles aos cidadãos de que são chefes. 

Todos nós, com efeito, enquanto existimos, somos nascidos e educados em vista de um bem supremo e final ao qual é preciso referir tudo, colocado que está nos céus, além desta frágil e curta existência. Já que disso é que depende a completa e perfeita felicidade dos homens, é do interesse supremo de cada um alcançar esse fim. 

Como, pois, a sociedade civil foi estabelecida para a utilidade de todos, deve, favorecendo a prosperidade pública, prover ao bem dos cidadãos de modo não somente a não opor qualquer obstáculo, mas a assegurar todas as facilidades possíveis à procura e à aquisição desse bem supremo e imutável ao qual eles próprios aspiram. A primeira de todas consiste em fazer respeitar a santa e inviolável observância da religião, cujos deveres unem o homem a Deus.

Quanto a decidir qual religião é a verdadeira, isso não é difícil a quem quiser julgar disso com prudência e sinceridade. Efectivamente, provas numerosíssimas e evidentes, a verdade das profecias, a multidão dos milagres, a prodigiosa celeridade da propagação da fé, mesmo entre os seus inimigos e a despeito dos maiores obstáculos, o testemunho dos mártires e outros argumentos semelhantes, provam claramente que a única religião verdadeira é a que o próprio Jesus Cristo instituiu e deu à sua Igreja a missão de guardar e propagar.

Papa Leão XIII in Carta Encíclia 'Immortale Dei' (§12, §13)


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Santa Margarida serviu de mensageira entre Jesus e São Cláudio La Colombière, SJ

Desde as visões de Jesus a Santa Maria Margarida Alacoque a devoção ao Sagrado Coração de Jesus começou a crescer na Igreja. Mas houve outra personagem na História, um santo sacerdote jesuíta, que também teve o seu papel a cumprir. Disse Jesus a Santa Margarida:

"O carisma do Padre La Colombière [SJ] consiste em conduzir as almas a Deus. Por isso os demónios o hão-de obstaculizar de todas as maneiras. Mesmo pessoas consagradas a Deus o vão fazer sofrer, e não hão de aprovar aquilo que ele dirá nas suas pregações para as conduzir ao Senhor. Mas que a bondade de Deus seja o seu apoio nas suas cruzes na medida da confiança que ele puser n’Ele…" 

"Dirige-te ao meu servo (Cláudio La Colombiere) e diz-lhe da minha parte para fazer o possível para implantar esta devoção e assim dar esta alegria ao meu Coração. Acrescenta também que não se desencoraje por causa das dificuldades que encontrará nesta empresa, porque não faltarão certamente. Deve saber, porém, que é omnipotente aquele que desconfia completamente de si mesmo e se fia unicamente em Mim…"

São Claude La Colombière foi confessor de Santa Maria Margarida Alacoque até à sua morte, no dia 15 de Fevereiro de 1682.


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Casamento é ajudar o outro a ir para o Céu




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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Padre, um "recasado" pode comungar?

Um sacerdote, Pe. Antonio Grappone, responde às dúvidas e perguntas sobre um tema de grande actualidade, à luz do Magistério da Igreja


O divorciados recasados não podem receber a comunhão porque são mais pecadores do que os outros?

Não, o problema é a dimensão pública: o divorciado recasado vive publicamente em contradição com o sacramento do matrimónio. Todos os sacramentos, e a Comunhão em especial, manifestam (tornam pública) a plena adesão a Cristo e à Igreja; o divorciado recasado nega publicamente esta comunhão, independentemente das intenções subjectivas que tenha, porque vive em contradição com o sacramento que ele mesmo, livremente, celebrou: esta contradição depende exclusivamente dos seus comportamentos e não de qualquer acção disciplinar da Igreja. Conceder os sacramentos nestas condições resultaria numa negação da missão salvífica da Igreja, que é necessariamente pública. Porém, isso não exclui de nenhuma forma os divorciados recasados de todos aqueles actos que não envolvam um compromisso público na comunidade cristã, nem constitui um juízo sobre o estado de sua alma.

Portanto, o sacerdote não pode absolver um divorciado recasado que se confessa?

Com certeza deve absolvê-lo se o penitente decidiu viver com o novo “cônjuge” como irmão e irmã, não mais como marido e mulher, e isso também com eventuais quedas por fraqueza, porque é a intenção que conta. Além do mais deve ser absolvido também se manifesta sinais de autêntico arrependimento com relação ao "segundo casamento", embora ainda não se sinta capaz de tomar a decisão acima, porque se está a abrir à graça e, portanto, deve ser apoiado. O papel do confessor é importante: por um lado deve avaliar a força do arrependimento, por outro, com a sua caridade e uma palavra esclarecedora, pode levar o pecador ao arrependimento. Os santos confessores são capazes de absolver quase sempre, não porque sejam “laxistas”, mas porque sabem suscitar a dor pelos pecados.

Os divorciados que voltaram a casar nunca mais poderão receber a comunhão?

Podem recebê-la se receberam a absolvição sacramental, como nos casos mencionados anteriormente, especialmente quando decidiram viver como irmão e irmã, por amor a Cristo, o que é desejável e totalmente possível com a ajuda da graça. Neste caso, longe de ser raro ou impossível, a sua própria relação tranquiliza-se e tornam-se um exemplo edificante para os próprios filhos. Para evitar criar confusão entre o povo de Deus, é importante que recebam os sacramentos nas comunidades onde a sua situação de divorciados recasados não seja conhecida.

O sacerdote pode negar a Comunhão a quem se apresenta publicamente para recebê-la?

Não. Só se nega a Comunhão quando haja um julgamento público que exclui a possibilidade de receber os sacramentos (excomunhão, interdito), e o sacerdote tem certeza de que não tenha sido revogada, ou também quando aquele que se apresenta para receber o faz abertamente para ridicularizar ou como desafio da comunidade cristã. Aproximar-se ou não da Eucaristia, na verdade, depende da consciência de quem comunga: um divorciado casado de novo que não se arrependeu deveria avaliar por ele mesmo a inadequação de receber os sacramentos. O sacerdote não deveria tomar o lugar da consciência dos fieis; não sabe se houve um arrependimento sério (contrição) e de qualquer forma deve evitar ferir publicamente um pessoa, uma vez que resultaria em um dano espiritual maior.

Então, o que pode fazer um sacerdote para evitar que um divorciado recasado não arrependido receba a comunhão?

De momento, nada. Se conhece a pessoa pode, na forma adequada e oportuna, instruí-lo sobre a disciplina da Igreja, que é exercício de misericórdia também quando tem que dizer não.

Que sentido faz a comunhão de um divorciado recasado não arrependido?

Não faz sentido, e é espiritualmente prejudicial. Recebemos os sacramentos para viver como filhos de Deus, na santidade, ou, pelo menos, para irmos naquela direcção; não se trata de um direito adquirido, nem serve para nos confirmar nas nossas escolhas, como uma espécie de atestado de boa conduta ("o que faço eu de mal?"), e muito menos para atender às necessidades "místicas". Tal atitude desvaloriza os sacramentos, reduzindo a vida cristã à dimensão das misérias humanas e nada mais, e os sacramentos apenas a um "consolo" psicológico, que cobre as feridas as curar: um pietismo ilusório que termina roubando a esperança de uma vida nova.


in Zenit


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Porque é que as pessoas dão beijos? Teologia ou evolução?

Eu dou beijos a muitas pessoas. Tenho uma mulher. Tenho sete filhos. Todos recebem beijos meus. Dou beijos aos membros da minha família. Beijo as mãos dos padres. Beijo a Bíblia. Beijo a cruz e as imagens de Cristo, de Maria e dos santos. Beijar é bíblico. Em tempos, os Cristãos falavam-se sempre com um beijo. De facto, a Bíblia ordena-o: "Saudai-vos uns aos outros com um beijo santo." (Rm 16, 16).

Mas o vosso amigo ateu provavelmente tem dificuldades em perceber o sentido de um beijo. De acordo com os evolucionistas [materialistas], o beijo evoluiu desta maneira como o conhecemos... Os antropologistas seculares concluíram que o beijo apareceu quando as mães proto-humanas mastigavam a comida e cuspiam-na para a boca dos seus filhos - boca a boca. Não havia processadores de comida, apenas dentes.

De acordo com os evolucionistas, a ligação boca a boca começou como uma forma de sobrevivência. A criança associava a experiência de boca a boca com o prazer de comer. Durante milhares de anos, o "beijo" tornou-se parte de uma sobrevivência biológica. Tornou-se, dizem eles, uma característica do prazer, alegria e ligação da cultura humana.

Hmmm. A mamã a cuspir comida para a boca do filho de dois anos. Isto é muito feio. Será realmente essa a razão pela qual eu beijo a minha mulher quando regresso a casa do trabalho? Será que vomitar comida é verdadeiramente a origem do beijo? Penso que não.

O primeiro beijo registado na Bíblia é, na verdade, entre pai e filho. Entre Isaac e Jacob.

Isaac disse-lhe: Chega-te para mim, e dá-me um ósculo, filho meu. Chegou-se, e deu-lhe um ósculo. E logo que sentiu a fragrância dos seus vestidos, abençoando-o, disse: eis o cheiro do meu filho bem como o cheiro do campo que o Senhor abençoou.” (Gn 27, 26-27)

O beijo, pelos vistos, não surge de largar comida para a boca dos filhos. O beijo pode ser um sinal romântico entre apaixonados. Pode ser para os filhos ou netos. Pode ser religioso. Os monges beijam-se uns aos outros. Os padres beijam o altar. Nós beijamos o anel de um bispo ou a mão de um padre. Beijamos ícones. Beijamos a avó. Felizmente, nenhuma comida é trocada em nenhum destes encontros!

Então o que é que está num beijo? Porque é que pomos a nossa boca em pessoas e coisas? Como é que isso mostra amor e/ou reverência?

Para descobrir a teologia do beijo, temos que descobrir a teologia da cara e da boca, em particular. Isto daria um livro inteiro, mas vou resumir. Na Sagrada Escritura, a boca é a porta da alma. A boca, mais do que os olhos, revela a natureza da alma. Por exemplo:

Aquele que guarda a sua boca, guarda a sua alma; mas o que é inconsiderado no falar sofrerá males.” (Pv 13, 3)
O coração do sábio instruirá a sua boca, e acrescentará graça aos seus lábios.” (Pv 16, 23)
Ela abriu a sua boca à sabedoria, e a Lei da clemência está na sua língua.” (Pv 31, 26)
Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e estas são as que fazem o homem imundo.” (Mt 15, 18)
"do que está cheio o coração, disso é que fala a boca." (Lc 6, 45)

Os homens são criaturas racionais e intelectuais e a nossa racionalidade expressa-se principalmente através da boca. Deus-Pai revela-se a Si mesmo através da Sua Palavra, a Segunda Pessoa da Trindade. Também nós nos revelamos através das nossas palavras, pela boca. É por isso que São Bernardo disse que a Encarnação de Cristo foi o "beijo" entre Deus e o mundo.

Eu diria que colocar a boca em alguma coisa (um beijo!) é um acto humano que comunica esta realidade: "Eu submeto a minha natureza intelectual a ti e em serviço a ti." Ao beijar damos a nossa boca à outra pessoa. Damos-lhe a nossa alma, o nosso coração e os nossos pensamentos.

Não podemos remover a nossa alma intelectual e dá-la a alguém. Em vez disso damos-lhe a nossa boca. É como Cristo diz, "do que está cheio o coração, disso é que fala a boca." Como todos sabemos, um beijo diz mais do que palavras. É por isto que os seres humanos se beijam e é por isso que beijar tem sido romântico, filial e especialmente religioso ao longo da história humana. 

Taylor Marshall

PS: É interessante notar que os hereges no passado criticaram o beijar estátuas, Bíblias e ícones pela razão de que isso significa uma alma racional a colocar-se a si mesma sob um objecto inanimado, não-racional. Os teólogos Católicos têm respondido sempre que o beijo passa para uma realidade mais elevada. Assim como quando beijamos a foto de uma pessoa amada que está ausente, esse afecto deve-se à pessoa e não ao papel. Da mesma forma, um beijo à Bíblia passa para o Espírito Santo e um beijo a uma estátua de Jesus passa para Jesus.

Pps: também é por isso que as pessoas gostam imenso de ter os seus bébés beijados por Papas e pessoas famosas. É a maior honra. Muito melhor do que um aperto de mão!


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